terça-feira, 10 de abril de 2012

LÉON DENIS, EMMANUEL E AS ALMAS GÊMEAS

Por Sérgio Aleixo

Disse Kardec em O Livro dos Espíritos, 202: “Os espíritos encarnam-se homens ou mulheres, porque não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, oferece-lhes provas e deveres especiais, e novas ocasiões de adquirir experiências. Aquele que fosse sempre homem, só saberia o que sabem os homens”. E mais, 303-a: “A teoria das metades eternas é uma imagem que representa a união de dois espíritos simpáticos. É uma expressão usada até mesmo na linguagem vulgar, e que não deve ser tomada ao pé da letra. Os espíritos que dela se servem não pertencem à ordem mais elevada. A esfera de suas ideias é necessariamente limitada, e exprimem o seu pensamento pelos termos de que se teriam servido na vida corpórea”.
 


Entretanto, Léon Denis e Emmanuel discordaram de Kardec e dos guias da humanidade. Em O Problema do Ser, do Destino e da Dor, XIII, aduziu o primeiro: “Cremos de preferência, de acordo com os nossos guias, que a mudança de sexo, sempre possível para o espírito, é, em princípio, inútil e perigosa. Os espíritos elevados reprovam-na. [...] Quando um espírito se afez a um sexo, é mau para ele sair do que se tornou a sua natureza”.
 


O druida da Lorena tentou justificar sua tese de que a mudança de sexo não seria uma necessidade (só a admite por expiação) alegando que essa troca prejudicaria as “almas-irmãs, criadas aos pares, destinadas a evoluírem juntas, unidas para sempre na alegria como na dor”, almas que, segundo ele, “realizam a forma mais completa, mais perfeita da vida e do sentimento e dão às outras almas o exemplo de um amor fiel, inalterável, profundo”. Léon Denis assegurou ainda que o número dessas “almas-irmãs” seria “mais considerável do que geralmente se crê”.
 


A tese das almas gêmeas, ou irmãs, é mera variante da teoria das metades eternas, por lhes ser ínsito o mesmo fatalismo da predestinação. Denis veiculou uma ideia injusta, além de haver incidido em mais uma doutrina contrária ao Espiritismo: almas seriam criadas aos pares, cujo amor serviria de exemplo a outras almas, portanto as últimas não teriam seus respectivos pares, já que o número das primeiras seria mais considerável do que geralmente se crê, ou seja, esse número, de uma forma ou de outra, não constituiria a totalidade das almas criadas, segundo Denis.


De outro lado, sem negar a necessidade da mudança de sexo para que os espíritos progridam em tudo, Emmanuel confirmou a doutrina das almas gêmeas, tão só com a diferença de havê-la generalizado, estendendo o número delas à totalidade das almas humanas (exceto Jesus). Assim, ensinou que “cada coração possui no Infinito a alma gêmea da sua, companheira divina para a viagem à gloriosa imortalidade”. Essas almas, segundo Emmanuel, foram “CRIADAS UMAS PARA AS OUTRAS”, no que só repete Denis.  [1]


Trata-se de mera variante da teoria das metades eternas. Inútil fora defendê-los com eufemismos que distorçam o que propalaram e façam supor que só se hajam reportado à intensa afinidade entre certas almas. Denis e Emmanuel afirmam uma predestinação desde sempre rejeitada pelo Espiritismo. Eis o fato!


Se não, vejamos ainda mais O Livro dos Espíritos, 298: “As almas que devem unir-se estão predestinadas a essa união, desde a sua origem, e cada um de nós tem, em alguma parte do universo, a sua metade, à qual um dia se unirá fatalmente? – Não; não existe união particular e fatal entre duas almas”. E arremata Kardec na obra-base, 303-a: “É necessário rejeitar esta ideia de que dois espíritos, CRIADOS UM PARA O OUTRO, devem um dia fatalmente reunir-se na eternidade, após terem permanecido separados durante um lapso de tempo mais ou menos longo”.


A concepção, portanto, de almas criadas pela metade, ou aos pares, mas sempre ou eventualmente umas para as outras, com a prévia finalidade de um dia se unirem eternamente, conservem ou não a individualidade após isso, não é aceita pelo Espiritismo. Não importa o viés lexical! Sejam metades eternas, ou almas gêmeas, subsiste em ambas as teses o mesmo vício de uma suposta predestinação mútua de dois seres desde a sua origem, o que foi repelido por O Livro dos Espíritos.


Emmanuel ainda foi mais além. Condicionou o amor que sentiremos um dia pela humanidade inteira à prévia realização desse amor de almas gêmeas, que define como uma união, uma dada integração no plano espiritual, em que, por fim, elas “se reúnem para sempre na mais sublime expressão de amor divino, finalidade profunda de todas as cogitações do ser, no dédalo do destino”.  [2]


O indagador da Federação Espírita Brasileira, menos preocupado com o fato de essa doutrina carecer de fundamento em Kardec do que por não ter base nem mesmo em Roustaing, perguntou, então, sobre a alma gêmea de Jesus. A resposta evasiva de Emmanuel foi que seria “injustificável” um paralelismo entre o Cristo e “os meios humanos”, porque “observamos em Jesus a finalidade sagrada dos gloriosos destinos do espírito”.  [3] Mas se é também essa a nossa própria destinação, por que seria injustificável o paralelismo entre Jesus e os meios humanos? Como Jesus chegou a ser quem é? Não foi por encarnações humanas, ainda que noutros mundos há muito preexistentes ao nosso?


Emmanuel advogou que o Mestre só teria enlaçado, “no seu coração magnânimo, com a mesma dedicação, a humanidade inteira, depois de realizar o amor supremo”.  [4] Todavia, que amor foi esse, depois da realização do qual Jesus passou a amar a humanidade inteira com a mesma dedicação? Como previsto no número 326 de O Consolador: “O amor das almas gêmeas é aquele que o espírito sentirá um dia pela humanidade inteira”.


Dir-se-ia que Emmanuel admitiu, assim, a prévia realização do amor de Jesus e de sua alma gêmea; depois disso, o Cristo passou a sentir esse amor pela humanidade toda. Mas não! O guia de Chico Xavier excepcionou Jesus de tal situação; entende que ele evoluiu “em linha reta” e, por isso, em meios não humanos, o que, indubitavelmente, faz parte do programa de crenças rustenistas.


Sobre o Cristo, o que diz a Doutrina Espírita? — l'Esprit pur par excellence: “o Espírito puro por excelência”, portanto, de “superioridade intelectual e moral absoluta, em relação aos espíritos das outras ordens”.  [5] Em Espiritismo, todos os seres têm o mesmo “ponto de origem” e o mesmo “destino”.[6] Jesus não foi exceção. Mas quem poderia saber se cometeu erros na estrada evolutiva? E que importância afinal teria agora isso, se os que chegam ao grau supremo, mesmo passando pelo mal, são contemplados com idêntico olhar por Deus, que a todos ama igualmente?[7] Possível é que o Mestre seja daqueles espíritos que, desde o princípio, seguiram o caminho do bem.[8] Mas O Livro dos Espíritos chama isso de evolução “EM LINHA RETA”? O que nos autoriza a supor que essa expressão equivale ao que ensinou a obra-base? O que quer dizer: “desde o princípio”?


Essa expressão usada por Emmanuel pertence a Os Quatro Evangelhos, de Roustaing: “avançar com passo firme e EM LINHA RETA para a perfeição”,  [9] o que ratifica a identidade do guia de Chico Xavier com essa obra defensora de uma progressão espiritual que dispensaria a vida na matéria aos que só fazem o bem nos mundos fluídicos próprios à humanização da alma, chamados ad-hoc. A encarnação não passaria de excepcional castigo aos culpados que por lá faliram: seria uma “queda”.


A Doutrina Espírita, porém, ensina que seguir “desde o princípio” o caminho do bem “não isenta os espíritos das penas da vida corporal”, porque “TODOS são criados simples e ignorantes e se instruem através das lutas e atribulações desta vida; Deus, que é justo, não podia fazer felizes a uns, sem penas e sem trabalhos, e por conseguinte sem mérito.”
[10] A palavra “princípio” não se refere, pois, só aos mundos materiais, antes da suposta queda do espírito, nem tampouco se distinguiria, por isso, de “origem”, como querem as ginásticas verborrágicas de alguns rustenistas fanatizados.


Kardec diz que “os espíritos, na sua ORIGEM, se assemelham a crianças, ignorantes e sem experiência”.  [11] Questiona como podem, “em sua ORIGEM, quando ainda não têm a consciência de si mesmos, ter a liberdade de escolher entre o bem e o mal”, e se lhe responde que “o livre-arbítrio se desenvolve à medida que o espírito adquire consciência de si mesmo”.[12] Neste ínterim, pergunta Kardec “por que Deus permitiu que os espíritos pudessem seguir o caminho do mal[13] e, sem solução de continuidade, indaga logo após: “Havendo espíritos que, desde o PRINCÍPIO, seguem o caminho do bem absoluto, e outros o do mal absoluto, haverá gradações, sem dúvida, entre esses dois extremos?”. Resposta: “Sim, por certo, e constituem a grande maioria”.


Princípio” e “origem” são utilizados como sinônimos, e relacionados, é claro, ao “início” da fase humana de evolução da alma. O Livro dos Espíritos, 133, repele, assim, a tese da queda, ao assegurar que seguir desde o princípio o caminho do bem não isenta os espíritos das penas da vida corporal, entendimento confirmado mais adiante, 634: “É necessário que o espírito adquira experiência, e para isso é necessário que ele conheça o bem e o mal; eis por que existe a união do espírito e do corpo”. Incluída aí está a dualidade espírito-matéria, sem a qual não se desenvolveria o livre-arbítrio e a consciência de si no espírito.


A doutrina de O Livro dos Espíritos, portanto, não abriga de nenhuma forma o conceito rustenista de evolução “em linha reta”, porque esse simplesmente dispensa a vida na matéria, razão pela qual teria sido meramente fluídico o corpo de Jesus, doutrina repelida por Kardec.  [14] Quando Emmanuel diz que o Cristo evoluiu em meios não humanos, nega, indubitavelmente, a materialidade do corpo que Jesus assumiu na Terra; trata-se de uma profissão de fé neodocetista e, portanto, rustenista.


Emmanuel também revela seu rustenismo quando diz que, exceto Jesus, somos “espíritos que se resgatam ou aprendem nas experiências humanas, após as quedas do passado”.
[15] As quedas pretéritas, assim atribuídas tanto aos que “aprendem”, como aos que “se resgatam”, é uma generalização errônea, pois “a expiação serve sempre de prova, mas a prova nem sempre é uma expiação”.[16] Nem todos os que aprendem em meio a provas têm, pois, erros a resgatar. Se Emmanuel advoga que todos os têm, confirma as quedas que precipitariam na matéria os falidos da concepção de Os Quatro Evangelhos. E isso mais se evidencia na sua ideia sobre provação: seria para o “rebelde” e “preguiçoso”, e a expiação, para o “malfeitor que comete um crime”.[17] Quanto à expiação, vá lá, que seja; mas se é impossível chegar à perfeição sem provas, seríamos, de antemão, rebeldes e preguiçosos pelo simples fato de sofrê-las?


Outra evidência do rustenismo de Emmanuel está na pergunta sobre a queda do espírito. Diz que a alma é “colocada por Deus no caminho da vida como discípulo que TERMINA os estudos básicos”.  [18] Como pode ser isso se O Livro dos Espíritos, 190, leciona que, em sua primeira encarnação, a alma “ensaia para a vida”? Trata-se, pois, do início dos estudos básicos da alma, não de seu término. Emmanuel, então, imagina que iniciamos nossos estudos básicos sem o concurso da matéria, nos mundos ad-hoc de Roustaing, nos quais falimos e, por essa razão, na matéria agora nos encontramos, só para terminá-los, como se isso fosse uma excepcionalidade punitiva.


Só o pressuposto rustenista da queda original do espírito na matéria, por castigo, explica certos ensinos de O Consolador. Como podem, assim, ter base em Kardec? Foi mesmo Emmanuel quem tanto discordou da codificação espírita? Mas é o nome dele, bem como o de Chico Xavier, que está nas capas dos livros. De mais a mais, se a evolução em linha reta e a queda são rustenismo, a existência de almas gêmeas,  [19] a procedência “capelina” do exílio espiritual que deu origem à raça adâmica “há muitos milênios”, a superioridade do planeta Marte sobre a Terra, etc., não foram ensinadas a Roustaing.[20]


Estranho é que se clame pela autoridade do mestre francês e se publiquem obras mediúnicas cujos conteúdos lhe subvertam acintosamente os princípios codificados. Extrema é a hora espírita neste mundo. Valha-nos O Espírito de Verdade!


Realmente, consta que Emmanuel teria dito a Chico Xavier que deveria permanecer com Jesus e Kardec caso lhe aconselhasse algo em desacordo com as palavras de ambos.  [21] Mas nenhum ensino contrário a Kardec deixou de ser publicado por essa razão. Eis o fato.[22] Como eu disse no Primado de Kardec, cap. 13, é de mais consistente lógica e de melhor proveito à clareza analítica que se atribua ao próprio Emmanuel tudo aquilo que dos seus livros conste. Só Chico Xavier teve o poder de dirimir as dúvidas, mas nunca o fez, nunca levantou uma suspeita sequer sobre a F.E.B.; ao contrário, não é difícil encontrar-lhe pronunciamentos com os mais efusivos aplausos à Casa do “Anjo” Ismael, assim como ao grande J. Herculano Pires, maior opositor do rustenismo febiano. O médium sempre aparece ao lado de todos os partidos.


Aprendizes em Espiritismo sabem que o primeiro critério da verdade é submeter as comunicações dos espíritos ao controle severo da razão, do bom-senso e da lógica. Só espíritos enganadores, que não podem senão perder com esse exame sério, é que evitam a discussão e querem ser acreditados sob palavra.  [23]


Aprendizes em Espiritismo igualmente sabem que o segundo critério da verdade está na concordância, na universalidade do ensinamento espiritual, no fato de um princípio ser ensinado em vários lugares, por diferentes espíritos e médiuns estranhos uns aos outros, “e que não estejam sob a mesma influência”.  [24]


A única expressão de universalidade desse ensino espiritual sempre foi a Obra de Kardec. Depois dela, tudo mais são opiniões isoladas. Na falta em que nos encontramos, desde 31/03/1869, de um foco legítimo de apuração e controle, tais opiniões devem sofrer detidas avaliações lógicas, firmemente amparadas nos ensinos codificados pelo mestre lionês.


Quanto às almas criadas umas para as outras, Emmanuel tentou em vão defender-se, dizendo que não se referiu a metades eternas; contudo, pediu para ser conservada no livro “a humilde exposição relativa à tese das almas gêmeas”, na qual assevera que os ascendentes do amor entre elas, por serem mais profundos, diferenciam-se daqueles entrosados nas humanas concepções, que se modificam na esteira evolutiva. Segundo Emmanuel, trata-se de “tese mais complexa do que parece ao primeiro exame”, que “sugere mais vasta meditação às tendências do século”, no que concerne ao “divorcismo”, ao “pansexualismo”, etc.


A verdade é que não basta modificar a terminologia “metades eternas”, para conservar, ainda assim, o núcleo vicioso de sua doutrina, que é a noção de predestinação mútua de duas almas desde a sua origem. Aprende-se na obra-base que “a simpatia que atrai um espírito para outro é resultado da perfeita concordância de suas tendências, de seus instintos, e da igualdade dos seus graus de elevação”,  [25] o que explica o entrosamento incomum entre certos casais e torna desnecessária a ideia das almas gêmeas, cujo erro não está em serem almas afinadas, mas em terem sido, segundo Emmanuel, “criadas umas para as outras”.[26] Quanto a isso ser um preventivo contra o divorcismo, o pansexualismo, etc., bastaria a compreensão das leis morais da Parte III de O Livro dos Espíritos.


A tese de que teríamos uma alma preposta à nossa, criada especialmente para nos acompanhar na jornada evolutiva, nada tem a ver, portanto, com os termos kardecianos do Espiritismo, e Deus nos acuda se os termos do Espiritismo não puderem mais ser os kardecianos! Léon Denis e Emmanuel, nesse caso, formularam hipóteses pessoais, meras opiniões sem qualquer fundamentação mais consistente e que não se enquadram, de forma nenhuma, na Doutrina Espírita.


Por essas e por outras é que Kardec não voltou mesmo; não pode ter voltado! Ao sairmos da leitura kardeciana para a de outros autores, encarnados ou não, o sentimento é de abismal queda. O gênio de Lyon não foi excedido por ninguém! Até “sucessores” desfiguraram noções espíritas as mais legítimas. Cumpre-nos distinguir esses pontos em nossas leituras, que não deixam, só por isso, de serem obrigatórias. A identidade doutrinária kardeciana do Espiritismo, porém, é a única hígida o suficiente para mantê-lo em certeira rota.


 

 
[1] O Consolador, 323.

[2]  O Consolador, 325.
[3] O Consolador, 327.
[4] O Consolador, 327.
[5] O Livro dos Médiuns. XXXI, IX. O Livro dos Espíritos, 112.

[6] A Gênese, I, 30.
[7] O Livro dos Espíritos, 126.
[8]  O Livro dos Espíritos, 133, 124.

[9]  ROUSTAING. Os Quatro Evangelhos. Tomo III, n. 255.

[10] O Livro dos Espíritos, 133.

[11]  O Livro dos Espíritos, 115-a.

[12]  O Livro dos Espíritos, 122.
[13]  O Livro dos Espíritos, 123.
[14]  A Gênese, XV, 66.
[15] O Consolador, 243.
[16] O Evangelho Segundo o Espiritismo. V, 9.
[17] O Consolador, 246.
[18] O Consolador, 248.
[19] Cf. O Consolador, 323 e nota à primeira edição.
[20] Cf. A Caminho da Luz. Cap. 3. Emmanuel. A Tarefa dos Guias Espirituais.
[21] Diálogo dos Vivos [em parceria com Herculano Pires], cap. 23: Permanecer com Jesus e Kardec.
[22] Vejam-se neste meu trabalho os textos Kardec e os Exilados; Sobre André Luiz; Chico Xavier: Definitivamente, Outra Religião! e Kardec Versus Emmanuel em 12 Passos.
[23] KARDEC. O Que é o Espiritismo, 99.
[24] KARDEC. O Que é o Espiritismo, 99.
[25] O Livro dos Espíritos, 301 e 302.
[26] O Consolador, 323.


 

domingo, 8 de abril de 2012

Perispírito e "Corpos Espirituais": O que diz a Doutrina Espírita...

Por Iso Jorge Teixeira


Aura, duplo etéreo, corpo astral, corpo mental, plexos, chakras, centros de força
No dia 13/04/02 uma internauta, psicóloga, dirigiu-nos três perguntas básicas, uma delas já foi respondida neste site. Vamos a agora a uma outra questão, disse ela: "(...) Por fim, a questão dos corpos espirituais. Estudando Yoga, Rudolf Stainer, 'Mãos de Luz', vejo tantas referências aos corpos ou camadas que temos e que a meu entender seriam o próprio perispírito mais detalhado. André Luiz também fala sobre corpos etéricos, astrais, etc. Como fica isso? O Dr. falou em seu artigo que é só perispírito, mas e as outras fontes de informação? Não as vejo em desacordo com a Doutrina, mas complementares. O que o Sr. acha? (...) Quando o Sr. tiver um tempinho, escreva-me sobres estas questões, e se já escreveu me diga onde encontrar seus textos. Abraço e admiração." Roselene Pereira dos Santos - Cuiabá - MT

 
Respondemos preliminarmente à internauta. Pois bem, no dia 25/04/02 recebemos o seguinte mail de outra internauta, jornalista: "Dr. Iso, socorrrrrrrrrrro, preciso de sua ajuda novamente. Quantos corpos temos afinal? Estou fazendo a maior confusão e não chegando a conclusão alguma para dar uma aula sobre Cremação e desligamento. Quando puder, por favor, responda-me se puder (e se quiser, é claro).
1. Que é aura?
2. O que é duplo etéreo?
3. O que é corpo astral?
4. o que é corpo mental?
5. Onde ficam os plexos?
6. E os chakras?
7. E os centros de força? Acho que não há definição clara na doutrina Espírita sobre isso tudo... Estou confusa.
8. Nas aparições, quem aparece: o "corpo" do perispírito ou o tal do "duplo etéreo", que é do corpo físico?
9. E nas materializações?
10. E nas bilocações? Obrigada, abraço (estou adorando seus artigos...., pela clareza, principalmente).  Eliana Ferrer Haddad - São Paulo - SP

 
Respondemos preliminarmente à Sra. ELIANA e desenvolveremos melhor o assunto, agora... "Corpo" e corpos espirituais.
A Sra. ROSELENE citou um livro de Ioga em que há referência a "corpos espirituais". Certamente toda a literatura da Ioga faz referências a tais "corpos". Mas, perguntamos: Ioga é Espiritismo? Quando surgiu a prática da Ioga? Tal método para atingir-se o completo domínio do corpo e do psiquismo é utilizado desde a mais remota Antigüidade pelos ioguis. A Ioga faz parte dos rituais daqueles que professam o hinduísmo, portanto, não há nenhuma semelhança com a filosofia espírita!

A internauta diz que ANDRÉ LUIZ também se refere aos "corpos espirituais", o que é verdadeiro, mas não só ele, EDGARD ARMOND também fazia um sincretismo religioso das doutrinas orientalistas com o Espiritismo. A internauta assevera que não vê um desacordo com a Doutrina Espírita e que seriam informações "complementares" da Doutrina... Seriam então um avanço da Doutrina? Acreditamos que não, para nós é um retrocesso.

 
Senão, vejamos: Se os tais "corpos espirituais" já eram "conhecidos" desde a mais remota Antigüidade, pelos indianos e se fossem algo importante, por que os Espíritos Superiores não teriam feito a menor menção na Codificação, que se iniciou em 1857, através de O Livro dos Espíritos (OLE) de ALLAN KARDEC e em qualquer outra obra de KARDEC, inclusive nos 12 volumes da Revue Spirite?!

 
Portanto, não consideramos um avanço doutrinário e, além disso, KARDEC fez perquirições neste sentido, vejamos o que disse a Espiritualidade Superior: Na questão 95 de OLE, KARDEC pergunta se o perispírito teria "formas determinadas", eis a resposta: "-- Sim, uma forma ao arbítrio do espírito(...)" (o grifo é nosso). Portanto, o "corpo" espiritual depende do livre-arbítrio, da vontade do Espírito, isto é, a sua forma é plástica.

 
Na resposta à questão 146 de OLE a Espiritualidade Superior pronuncia-se dizendo que a alma não tem uma sede determinada ou circunscrita, no entanto, em vários livros ditos espíritas, dizem que a sede da alma estaria localizada na glândula pineal e que os chamados centros de força (dos chakras) carreariam a energia do plexo da região lombo-sacra para o cérebro, onde está a pineal !!... E quando escrevíamos este texto, ouvimos numa emissora espírita do Rio de Janeiro, confrades afirmarem que a glândula pineal seria a responsável pela mediunidade das pessoas. Ou seja, afirmam tolices, sem nenhuma base científica!...

 
KARDEC fez um comentário sobre a resposta à questão 88-A de OLE: "Representa-se ordinariamente o gênios como uma flama ou uma estrela na fronte. É essa uma alegoria, que lembra a natureza essencial dos Espíritos. Colocam-se no alto da cabeça, por ser ali que se encontra a sede da inteligência".

 
Para não nos alongarmos muito, vejamos a pergunta 146-A de OLE, que é bem clara para o que estamos argumentando: "Que pensar da opinião dos que situam a alma num centro vital? Eis parte da resposta: "-- (...) os que a situam naquilo que consideram centro da vitalidade, aconfundem com o fluido ou princípio vital".

 
Enfim, a Espiritualidade Maior teve várias oportunidades para se manifestar sobre os "corpos espirituais" e não o fizeram! Seria porque era prematura a informação, como advoga o Espírito RAMATÍS? Acreditamos que não, pois os "corpos espirituais", repetimos, já eram citados na mais remota Antigüidade e, curiosamente, é o próprio RAMATÍS quem o afirma: "Aliás, as noções, os aspectos e os estudos que vos parecem inéditos sobre a anatomia e fisiologia do perispírito, não constitui novidade, pois trata-se de motivo e ensinamentos conhecidos há muitos séculos por todas as escolas iniciáticas do mundo (...). Os Vedas há 4000 anos já ensinavam as minúcias do corpo mental, corpo astral e o duplo etérico com o sistema de 'chacras', enquanto Hermés Trimegisto, o iniciado do Egito já o fazia à luz dos templos de Ra". - os grifos são nossos - (HERCÍLIO MAES. Elucidações do Além. Pelo espírito RAMATÍS. Liv. Freitas Bastos S. A ., 5 ed., Rio de Janeiro, p. 71).

 
Assim, tais conceitos místico-ocultistas serviram de base para a doutrina Rosa-Cruz, Teosofia, Esoterismo, Ioga, etc. Portanto, são estranhos ao Espiritismo, que é uma doutrina embasada na Ciência e não em concepções místico-religiosas orientalistas, plenas de superstições como a da "vaca sagrada", por exemplo; como já dissemos alhures. Nada temos contra elas, mas não as confundamos com a Doutrina dos Espíritos.

 
Bem, passemos às respostas mais específicas das indagações da jornalista ELIANA FERRER HADDAD: Que é AURA, DUPLO ETÉREO e CORPO ASTRAL ? Vejamos o que afirmaram no livro "Experiências Psíquicas Além da Cortina-de-Ferro" as jornalistas e pesquisadoras americanas SHEILA OSTRANDER e LYNN SCHOEDER: "Existe um corpo astral, um corpo energético, cópia do corpo físico do ser humano? Durante séculos, videntes, escritores, clarividentes, assim como antigas filosofias e religiões se referiram a um corpo invisível que todos possuímos. Ele tem sido chamado através dos séculos de corpo sutil, corpo astral, corpo etérico, corpo fluídico, corpo Beta, corpo equivalente, corpo pré-físico, para citarmos alguns de seus nomes" - os grifos são nossos - (op. cit., Edit. Cultrix, 1989, p. 232).

 
Portanto, Sra. ELIANA, para nós perispírito, "corpo astral" e "duplo etéreo" são uma e mesma coisa... Mais adiante, dizem as pesquisadoras americanas: "Consoante alguns médiuns, esse duplo humano é maior do que o corpo físico e a aura ou luz que se vê em forma de radiação à volta do corpo é simplesmente a borda externa do duplo humano" - os grifos são nossos - (op. cit., p. 233). Enfim, Srs. internautas, estamos citando o pensamento de cientistas americanas, sérias; e isso é concordante com a Doutrina dos Espíritos, que diz em resposta à questão 420 de OLE: "O Espírito não está encerrado no corpo como numa caixa; ele irradia em todo o seu redor (...) ".

 
Ora, o termo aura, do latim aura, ae foi utilizado por VIRGÍLIO no ano 29 antes de Cristo (29 a .C.), no sentido figurado, poético, de brilho, cintilação. Portanto, o termo não tinha nada de científico, por isso, talvez, KARDEC não o tenha utilizado, nem a Espiritualidade Superior. Em resumo, o duplo etéreo, o corpo astral, ou perispírito manifesta-se ao médium vidente completamente; ou, incompletamente, ao redor do corpo físico, como aura.

 
Em 1949, o casal russo KIRLIAN fotografou o que seria a aura de plantas e dedos humanos. Já em 1968, admitiu-se que a aura seria o corpo bioplasmático (um novo estado da matéria - o plasma), descoberto pelos cientistas russos da Universidade de Kirov. Falou-se, também, que ocorreriam irradiações em corpos materiais inorgânicos, como rochas, moedas, etc., isto é, não-vivos... O que parece é que os achados do casal KIRLIAN foram aproveitados por pessoa inescrupulosas, que ainda existem em barraquinhas de Shoppings do Brasil; ou foram mal interpretados, pois a energia bioplasmática seria o oxigênio que respiramos que converte alguns de seus elétrons excedentes em um certo quantum para o corpo energético, essa foi a tese da Universidade de Casaquia. Portanto, é ponto certo que uma rocha ou uma moeda não respiram, será que tal processo dar-se-ia na borda externa dos objetos materiais? É possível, mas parece-nos inegável que o corpo bioplasmático seria a prova científica oficial da existência do perispírito, descrito pela Ciência Espírita 111 anos antes... Enfim, estamos no campo da Ciência, agora passemos à especulações orientalistas e do sincretismo...

 
Duplo etéreo, corpo mental, corpo astral
As concepções orientalistas, antigas, baseavam-se no número, cabalístico, 7(sete). Assim, DEUS fez o mundo em seis dias e descansou no 7.º ; há 7 cores no espectro solar; 7 selos, 7 céus na visão do Apocalipse de JOÃO, etc., etc., e, enfim, 7 chakras ou centros de forças etéricas, que seriam, segundo RAMATÍS, "Os 7(sete) invólucros do Universo ou de Brahma segundo dizem os orientais: Prana, a vitalidade; Manas, o princípio inteligente ou a Mente; o Éter, o Fogo, o Ar, a Água e a Terra".

 
Porém, RAMATÍS, "para resumir, para melhor entendimento" dividiu o assunto assim: - Espírito - a centelha ou a Luz imortal sem forma; - Perispírito - que abrangeria o corpo mental, que serve para pensar; o corpo astral, que manifesta as emoções, os desejos e os sentimentos; o duplo etérico, com o sistema de chakras ou centros de forças etéricas, isto é, o corpo transitório do éter-físico e situado entre o perispírito e o corpo físico, o qual se dissolve depois da morte do homem; - Corpo físico.

 
Plexos, Chakras e centros de forças
Os plexos são constituídos pelo nosso sistema nervoso autônomo ou vegetativo e neles haveria, digamos assim, centrais irradiantes, os chamados centros de forças, os chakras ou rodas. Citemos os 7 (sete) centros de forças ou chakras, que para EDGARD ARMOND seriam 8 (oito):
1- Centro coronário (no alto da cabeça);
2- Centro cerebral (na região frontal da cabeça);
3- Centro laríngeo (no pescoço);
4- Centro cardíaco (na região precordial);
5- Centro esplênico ( na região do baço);
6- Centro gástrico (na região do estômago);
7- Centro genésico (no baixo ventre).
E EDGARD ARMOND e outros acrescentam:
8- Centro básico (na base da coluna espinhal).

 
Admitem os que comungam a crença nos "centros de forças" que eles estariam localizados no "duplo etérico". A Sra. ELIANA pergunta se nas aparições quem apareceria se o "corpo" do perispírito ou o tal "duplo etéreo". Cremos que, pelo desenvolvimento que fizemos, parece claro que duplo etéreo e perispírito são uma e mesma coisa. E nas materializações e bilocações? Quem apareceria? A Doutrina Espírita mostra que o perispírito pode tornar-se tangível, como nas materializações, nos agêneres. Já os novidadeiros, pseudocientistas, afirmam que o "duplo etérico" , aquele que ficaria entre o corpo físico e o perispírito, seria o responsável pelas materializações. Nada científica esta afirmação, simples elucubração, gratuita... Além disso, caberia então a pergunta: se o duplo etéreo desapareceria com a morte física, os centros de forças aí localizados também se destruiriam?!...

 
A propósito da referência da psicóloga ROSELENE sobre a Ioga, gostaríamos de citar que segundo um indiano, grandes iogues conseguiriam até controlar a respiração a tal ponto que se manteriam, como alguns faquires, embaixo da terra por meses e haveria pelo menos um deles tendo a "idade de 400 anos" (PAUL BRUNTON. A Índia Secreta. Edit. Pensamento, São Paulo, 1996, p. 88). Acredite quem quiser!... Nunca fomos à Índia, mas não vejo nenhuma base científica nisso! Aliás, não é a parada respiratória um indício de que a força vital, ou uma "força sutil" abandonou o corpo - temos inúmeros exemplos de pessoas que sobreviveram após tempo mais ou menos longo de parada respiratória.

 
Veja bem o Sr. internauta que não estamos nos propondo a questionar a religião indiana, queremos citar alguns aspectos demonstrativos da sua falta de cientificidade em oposição à Ciência Espírita.

 
Concluindo, gostaríamos de repetir palavras sábias de J. HERCULANO PIRES sobre aquelas pessoas que se dizem médiuns videntes e que seriam capazes de ler a "aura" humana: "(...) Não há, até o momento, nenhum meio científico de se verificar objetivamente os graus de percepção mediúnica ou o grau de espiritualidade de uma pessoa. Além disso, o vidente que examina a aura de alguém, sofre as mesmas variações de instabilidade psico-orgânica e emocionais". (J. HERCULANO PIRES. Mediunidade (vida e comunicação). Cap. XIII, EDICEL, São Paulo, p. 111).

Por tudo isso, permita-nos os internautas dois conselhos, que não são nossos; o primeiro é de PAULO DE TARSO em sua 1.ª Epístola aos Tessalonicenses: "Discerni tudo e ficai com o que é bom." (1 Ts 5,21) e o segundo conselho é de JOÃO, o Evangelista em sua 1.ª Epístola: "Caríssimos, não acrediteis em qualquer espírito, mas examinai os espíritos para ver se são de Deus, pois muitos falsos profetas vieram ao mundo" (1 João 4,1).



 
Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/iso-jorge/

sexta-feira, 6 de abril de 2012

AS ADVERTÊNCIAS DE KARDEC A ROUSTAING E A PROFECIA DE ERASTO

Por Sérgio Aleixo

Na Revista Espírita de junho de 1863 há um artigo kardeciano sobre a não retrogradação dos espíritos. Este texto foi citado pelo advogado de Bordéus e submetido ao exame dos autores espirituais de Os Quatro Evangelhos no número 59 da obra. Os guias da pretendida Revelação da Revelação concluíram que os que pensam ser a encarnação uma necessidade geral “não foram esclarecidos, ou não refletiram bastante”.
 


Kardec diz em seu artigo de junho de 1863 que a idéia rustenista de que “os espíritos não teriam sido criados para encarnarem”, que “a encarnação seria tão somente o resultado de sua falta”, constitui um sistema “especioso à primeira vista”, e que “tal sistema cai pela era consideração de que, se nenhum Espírito tivesse falido, não haveria homens na Terra, nem em outros mundos”.


Segundo o Codificador, o homem “é uma das engrenagens essenciais da criação” e, por esta razão, “Deus não podia subordinar a realização desta parte de sua obra à queda eventual de suas criaturas, a menos que contasse para tanto com um número sempre suficiente de culpados para fornecer operários aos mundos criados e por criar”. Para Kardec: “O bom-senso repele tal idéia”.


Mas a isto responderam os guias de Roustaing: “A última frase deve ser riscada”. E mesmo confessando que era “cedo” para resolver a “origem do Espírito” — em relação ao quê, aliás, Kardec já recomendara máxima cautela —, os guias rustenistas exortaram a vaidade da sensitiva e do próprio jurisconsulto assim: Utilizai-vos do que vos dizemos [sobre a origem das coisas], porquanto, ao tempo em que este vosso trabalho aparecer aos olhos de todos, os espíritos encarnados já se acharão mais dispostos a receber o que então [quando, em O Livro dos Espíritos, foi dito que o Espírito era criado simples e ignorante], e mesmo hoje [abril de 1863], tomariam por uma monstruosidade, ou por uma tolice ridícula.[2]


Kardec reafirmou em seu artigo de junho de 1863 a doutrina de O Livro dos Espíritos e negou a tese rustenista que assegura que a reencarnação é ocasionada por castigo a espíritos faltosos. Isto prova irrefutavelmente que não é verdadeira a propaganda centenária da F.E.B., a qual sempre deu conta de que Kardec e Roustaing só divergiam quanto à natureza do corpo de Jesus, concordando em tudo mais.


O Codificador disse em alto e bom som que o estado primitivo do Espírito não é o de “inocência inteligente e raciocinada”. Estes termos utilizados pelo mestre lionês em junho de 1863 resumem com precisão as teses “especiosas” da Revelação da Revelação que, no entanto, somente seria publicada três anos depois. Se não, vejamos: Atingindo o ponto de preparação para entrarem no reino humano, os espíritos se preparam, de fato, em mundos ad-hoc, para a vida espiritual consciente, independente e livre. É nesse momento que entram naquele estado de inocência e de ignorância. A vontade do soberano Senhor lhes dá a consciência de suas inocência e faculdades e, por conseguinte, de seus atos, consciência que produz o livre-arbítrio, a vida moral, a inteligência independente e capaz de raciocínio, a responsabilidade. Chegado deste modo à condição de Espírito formado, de Espírito pronto para ser humanizado se vier a falir, o Espírito se encontra num estado de inocência completa, tendo abandonado, com os seus últimos invólucros animais, os instintos oriundos das exigências da animalidade. [...] Os que se conservam puros também desenvolvem atividades e inteligência, a fim de progredirem, no estado fluídico, por meio dos esforços espirituais que necessitam fazer para, da fase de inocência e de ignorância, de infância e de instrução, chegarem, sem falir, à perfeição![3]


Esta flagrante coincidência de vocábulos e a citação, no número 59 de Os Quatro Evangelhos, da absoluta negativa de Kardec à tese da “queda” evidenciam que, de alguma sorte, já em 1863, o Codificador havia tomado ciência do material que estava sendo compilado por Roustaing desde dezembro de 1861. Ponderava o saudoso confrade Gélio Lacerda da Silva, ex-presidente da Federação Espírita do Estado do Espírito Santo: Para entender como Kardec contestou, em 1863, um assunto que Roustaing veiculou no seu livro, publicado em 1866, tudo leva a crer que Roustaing, antes do seu livro vir a público, já divulgava o seu conteúdo. Foi em abril de 1863 que os espíritos mistificadores ditaram a Roustaing, através de Mme. Collignon, o ensino antidoutrinário de que o Espírito só será humanizado se vier a falir, conforme nota de rodapé da pág. 295, 1.º volume, 5.ª ed. de Os Quatro Evangelhos; portanto, não há dúvida de que Kardec, em junho de 1863, no seu referido artigo, se louvou na mensagem ditada a Roustaing em abril de 1863.[4]


E aduzo a isto um fato relevante. O Codificador, certa vez, publicou carta da médium Émilie Collignon encaminhando a si ditados espirituais. Acreditara a sensitiva que um desses comunicados era de um espírito que, antes, se apresentara a Kardec em substituição ao de Gérard de Codemberg. Rebatidos os argumentos da médium, o gênio lionês diz-lhe que o texto “apresenta todos os caracteres de uma comunicação apócrifa.”[5]


A seguir, Kardec publica mensagem do Espírito Bernardin à mesma sensitiva, na qual se apregoa na conta de “pensamento filosófico”, “cheio de sabedoria”, o suposto fato de que “somos uma essência criada pura, mas decaída; pertencemos a uma pátria onde tudo é pureza; culpados, fomos exilados por algum tempo, mas só por algum tempo”. Já era a doutrina rustenista da queda do espírito!


Em clara reparação, o mestre recomenda, entre parênteses, a leitura de seu aclamado artigo de janeiro de 1862, sobre a doutrina dos anjos decaídos, bem como, em sua observação final, adverte para o perigo de, em certas comunicações, espíritos não muito elevados emitirem opiniões pessoais, que refletem apenas sistemas e ideias nem sempre justos acerca dos homens e das coisas. Segundo Kardec: Publicadas sem corretivo, essas ideias falsas apenas lançarão descrédito sobre o Espiritismo, fornecerão armas aos seus inimigos e semearão a dúvida e a incerteza entre os neófitos. Com os comentários e as explicações dados a propósito, o próprio mal por vezes se torna instrutivo. Sem isto poderiam responsabilizar a doutrina por todas as utopias enunciadas por certos espíritos mais orgulhosos que lógicos. Se o Espiritismo pudesse ser retardado em sua marcha, não seria pelos ataques abertos de seus inimigos declarados, mas pelo zelo irrefletido dos amigos imprudentes. Não se trata, pois, de fazer coletâneas indigestas, onde tudo se acha amontoado confusamente e cujo menor inconveniente seria aborrecer o leitor; é preciso evitar com cuidado tudo quanto possa falsear a opinião sobre o Espiritismo. Ora, tudo isto exige um trabalho que justifica a demora de tais publicações.[6]


A situação não era de todo boa para a médium, que já estava recebendo a pretensa Revelação da Revelação desde de dezembro de 1861, o que se estenderia até maio de 1865,[7] e em clima, agora, quem sabe, de provável melindre, em função destes pareceres desfavoráveis de Kardec. Anote o estudioso que o mestre lionês fala, em sua observação, sobre “espíritos mais orgulhosos que lógicos”, “zelo irrefletido dos amigos imprudentes” e “coletâneas indigestas, onde tudo se acha amontoado confusamente e cujo menor inconveniente seria aborrecer o leitor”. Não resta dúvida! O material rustenista foi enviado a Kardec já em 1862, mas o mestre logo lhe percebeu as inconsistências e perigos.


Roustaing, portanto, pôde contar com a prévia advertência do Codificador, que se dignou até poupá-lo do ridículo, dada sua distinção social, não lhe mencionando o nome naquele artigo de junho de 1863, sobre a não retrogradação dos espíritos. Elegante, mas firme, Kardec definiu a tese rustenista da queda como “um sistema que tem algo de especioso à primeira vista”, argumentado da forma que já destaquei de início.


O jurisconsulto bordelês, portanto, deveria ter acatado o entendimento do seu “muito honrado chefe Espírita”. Foi dada a Roustaing a oportunidade de desistir daquele trabalho, todavia não o interrompeu; na certa, por orgulho ferido. Um ex-presidente da Ordem dos Advogados, membro do Tribunal Imperial de Bordéus, a ser “desacatado” por um professor lionês radicado em Paris. Não, isto não podia ser, ainda mesmo que se tratasse de um autor pedagógico aclamado.


A médium Collignon e o advogado Roustaing. Ambos em situação de evidente mágoa por não haverem obtido de Kardec o respaldo que ambicionavam para seus trabalhos mediúnicos. Combinação explosiva que gerou o primeiro cisma no movimento espírita, cujos ecos, infelizmente, se podem ouvir ainda.


Não bastassem estas advertências de Kardec, espíritos orientadores haviam expedido alertas a respeito de um ataque de entidades mistificadoras na cidade de Bordéus. Durante a sessão geral lá ocorrida a 14 de outubro de 1861, Kardec leu, após o seu discurso, uma epístola de Erasto aos espíritas daquela localidade. [8]


Em voz um tanto mais severa, o amigo espiritual da codificação kardeciana assegurou ser necessário premunir os espíritas bordeleses contra um perigo que era seu dever lhes assinalar. Erasto avisou-os, então, do iminente assalto de uma turba de espíritos enganadores, cuja finalidade seria fomentar a cisão, a divisão, e levar a uma ruptura por todos os títulos lamentável. Repetindo o que os próprios guias espirituais do movimento em Bordéus disseram aos espíritas daquela cidade, Erasto esclareceu que haveria dois tipos de mistificadores no ataque. Um tipo viria com combinações abertamente hostis aos ensinos dos legítimos missionários do Espírito de Verdade, este, o presidente da regeneração planetária e guia pessoal de Kardec e do Espiritismo. Outro tipo de mistificadores, porém, apresentar-se-ia com dissertações sabiamente combinadas, nas quais, graças a tiradas piedosas, insinuariam a heresia ou algum princípio dissolvente.


Roustaing tomou conhecimento da epístola por terceiros? Ou, como adeptos seus afirmam hoje sem provas, esteve presente à sessão geral? De qualquer forma, não foi por falta de mais este aviso que cometeu o erro de publicar sua pretensa Revelação da Revelação, cujos ditados começariam a aparecer já em dezembro daquele ano, dois meses depois da sessão geral, insinuando exatamente a heresia gnóstico-docetista do Jesus fluídico e o princípio dissolvente da reencarnação como resultado de uma suposta queda, espécie de falência, verdadeira retrogradação que, segundo os guias rustenistas, seria aplicável até a espíritos com responsabilidades planetárias.[9]


Tudo se deu tal qual a predição. Foi um vaticínio de Erasto; na ocasião, mensageiro do Espírito de Verdade; este último, aliás, alguns espíritos ligados à Igreja dos primeiros tempos já haviam identificado como Jesus, em casa do Sr. Roustaing e do Sr. Sabo, a quem Kardec recomendou o primeiro, para que se iniciasse no Espiritismo. Ao lado do mal, vê-se que Deus pusera o remédio, mas não foi usado.[10]


A nomenclatura criada por Kardec — a palavra Espiritismo, inclusive — estava em toda a suposta Revelação da Revelação, mesmo no título: “Espiritismo cristão”. Como se nunca fora dito por Kardec: “O ponto essencial é que o ensinamento dos espíritos é eminentemente cristão: ele se apoia na imortalidade da alma, nas penas e recompensas futuras, no livre-arbítrio do homem, na moral do Cristo, e portanto não é antirreligioso”.[11]


O fato é que Roustaing, infelizmente, se apoderou do nome e dos termos de uma doutrina cuja codificação nunca lhe coube. Além disto, nem ele nem seus discípulos jamais demonstraram em quê, afinal de contas, a tese basilar de sua “escola” se distingue da antiga tese dos gnósticos docetistas. No dizer autorizado de E. Pagels, a antiga seita postulava que “Jesus não era um ser humano, e sim um ser espiritual que se adaptara à percepção humana”,[12] ou seja, conforme no Espiritismo se diz: um agênere.


Não se trata, claro, de o agênere desenvolver percepção física, mas, isto sim, de adaptar-se à percepção humana, isto é, de terceiros, a fim de que o possam notar, mesmo desencarnado; tanto assim, que os rustenistas apregoavam que Jesus não tinha “corpo material humano, sujeito à morte”, que “não podia sofrer segundo o nosso modo de entender material” e que — pasmem — “não morreu efetivamente no Gólgota”.[13] Oras! Diz o Espiritismo mui contundentemente: [...] o Espírito que não tem corpo material não pode experimentar os sofrimentos que são o resultado da alteração da matéria, de onde também é forçoso concluir que, se Jesus sofreu materialmente, do que não se pode duvidar, é porque tinha um corpo material de natureza semelhante à dos corpos de toda a gente.[14]


Acresça-se a isso o flagrante de que, para o rustenismo, na prática, a carne humana é mesmo um efeito “do mal”; apenas a assumem os espíritos que são punidos por faltas cometidas no “estado fluídico”. E o docetismo, segundo Pastorino, entendia exatamente isto: “[...] tudo o que é material é imperfeito e impuro, pois é obra do Princípio do Mal; como Jesus apresentara o Princípio do Bem, o Pai, não podia ter-se submetido ao Princípio do Mal e, portanto, não poderia ter tido corpo físico carnal”.[15]


De fato, neste texto de Os Quatro Evangelhos, dentre outros, pode-se constatar o horror dos guias docetistas ao corpo humano, vinculando-o à “lama”, ao “sofrimento”, à “falibilidade”; tornando-o efeito inerente à condição de “culpado”: Maior ainda era a diferença entre esse corpo de Jesus e os vossos corpos de lama. [...] não o esqueçais: todo aquele que reveste a carne e sofre, como vós, a encarnação material humana é falível. Jesus era demasiadamente puro para vestir a libré do culpado. Sua natureza espiritual era incompatível com a encarnação material, tal como a sofreis. (Vol. I, n. 14.)


Possível seria concluir então, com os guias rustenistas, que Jesus não cometeu imperfeições morais quando esteve na Terra não só porque nunca as praticara nos planos do Espírito, mas também porque não estava revestido da carne humana. A instrução 625 de O Livro dos Espíritos caducaria.


Sim, pois que valor possuiria para nós o guia e o modelo de uma perfeição que lhe foi conferida por processo evolutivo diferente daquele em que nos encontramos? Seria um guia errado, um modelo errado para uma humanidade errada, porque nada saberia de nossa vida terrestre, com a qual sua pureza sempre teria sido incompatível.


E mais: Jesus teria mentido quando disse a Nicodemos: “Falo do que sei; dou testemunho do que vi”, porquanto nada conheceria nem nada teria visto acerca da nossa experiência humana. O rustenismo, por estas e outras, é um insulto à autoridade moral e espiritual do Mestre de Nazaré, a despeito de supor exaltá-la.




[1] “São essas opiniões pessoais que os espíritos orgulhosos nos dão como verdades absolutas. É sobretudo a respeito do que deve permanecer oculto, como o futuro e o princípio das coisas, que eles mais insistem, a fim de darem a impressão de que conhecem os segredos de Deus. E é também sobre esses pontos que há mais contradições.” (O Livro dos Médiuns, 300.)

[2] Os Quatro Evangelhos. Vol. I, n. 56. F.E.B, 5.ª ed., 1971, p. 295. Entre colchetes, palavras minhas.

[3] Os Quatro Evangelhos. Vol. I, ns. 56 e 59.

[4] Conscientização Espírita. Do Princípio da Não Retrogradação dos Espíritos.

[5] Revista Espírita. Jun/1862. Princípio Vital das Sociedades Espíritas.

[6] Revista Espírita. Jun/1862. Ensinos e Dissertações Espíritas. O Espiritismo Filosófico. Bordeaux, 4 de abril de 1862. Médium: Sra. Collignon. Observação [de Kardec].

[7] Cf. Os Quatro Evangelhos. Prefácio. F.E.B., 5.ª ed., 1971, pp. 64 e 66.

[8] Revista Espírita. Nov/1861. Primeira Epístola de Erasto aos Espíritas de Bordéus.

[9] Os Quatro Evangelhos. Vol. I, n. 59. F.E.B, 5.ª ed., 1971, p. 325-326. Cf. Cap. 14: Estranhezas do Ensino Rustenista.

[10] Cf. Revista Espírita. Jun/1861. Correspondência.

[11] O Livro dos Espíritos, 222.

[12] Os Evangelhos Gnósticos, IV.

[13] Os Quatro Evangelhos. Prefácio. F.E.B., 1920, p. 59.

[14] KARDEC, Allan. A Gênese, XV, 65.

[15] Sabedoria do Evangelho. Vol. 3. Jesus Anda Sobre a Água.


Fonte: http://oprimadodekardec.blogspot.com.br

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Universalismo e Movimentos Cismáticos

Por Artur Felipe Azevedo
 
 

É muito natural que as pessoas possuam diferentes maneiras de pensar, algo que ocorre, entre outras fatores, devido ao fato de cada um estar num patamar diferente de compreensão sobre determinada questão ou assunto.


No entanto, quando um ou mais indivíduos que dizem pertencer a uma determinada religião, ou que dizem apoiar certo conjunto de ideias de cunho filosófico (como a Doutrina Espírita, por exemplo), passam a discordar de alguns de seus princípios ou ensinos, forma-se aquilo que se convencionou chamar de "cisma“. O cisma caracteriza-se por uma dissidência (ou cisão), em que geralmente seus partidários mantêm certos princípios originais e passam, concomitantemente, a adotar outros que lhes pareçam melhores ou mais convenientes. De maneira geral, passam a isolar-se do movimento originário, adotando práticas e divulgando conceitos próprios.


Allan Kardec, o sistematizador da Doutrina Espírita, deixou comentários importantes e esclarecedores acerca dos cismas que já surgiam e viriam a surgir no movimento espírita, tendo deixado evidenciado sua preocupação perante os mesmos. Leiamos: "Uma questão que se apresenta em primeiro lugar no pensamento é a dos Cismas que poderão nascer no seio da Doutrina; o Espiritismo deles será preservado?


Não, seguramente, porque terá, no começo sobretudo, que lutar contra as ideias pessoais, sempre absolutas, tenazes, lentas em se harmonizarem com as ideias de outrem, e contra a ambição daqueles que querem ligar, mesmo assim, o seu nome a uma inovação qualquer; que criam novidades unicamente para poderem dizer que não pensam e não fazem como os outros; ou porque o seu amor-próprio sofre por não ocupar senão uma posição secundária.
(em Constituição do Espiritismo - Dos Cismas, Obras Póstumas)(grifos nossos)


Vemos claramente que Allan Kardec se refere a novidades oriundas de ideias pessoais através das quais adeptos ambiciosos e, por que não dizer?, vaidosos e sequiosos por destaque, de maneira persistente procuram fazer prevalecer, exatamente como temos observado nos últimos tempos.


Cabe frisar que o Espiritismo se deparou, inicialmente, com simpatizantes de praticamente todas as religiões e filosofias. Uns, logo reconhecendo que a Doutrina Espírita possuía ideias, conceitos e princípios que lhe eram próprios, perceberam que não seria possível conciliar o Espiritismo com doutrinas do passado, fossem elas do Ocidente ou do Oriente, apesar dos alguns (poucos) pontos aparentemente em comum. Já outros, afetivamente ligados às suas antigas religiões, acharam que o Espiritismo nada teria a perder aceitando o que chamavam de "contribuições" dessas correntes do espiritualismo em geral, fossem elas oriundas de religiões dogmáticas (como o Catolicismo), ou de religiões orientais e/ou orientalistas.


Como já estudamos anteriormente em outros artigos, especialmente em “Os Cavalos de Tróia do Espiritismo” e em “Os Efeitos do Ecletismo e da Heterodoxia no Movimento Espírita Francês”, J.-B. Roustaing foi o primeiro a liderar um movimento cismático com suas ideias neo-docetistas muito semelhantes ao ideário católico. Tempos depois, com o desencarne do Codificador, logo se apossaram da Sociedade Parisiente de Estudos Espíritas, espiritualistas de toda ordem, especialmente teosofistas, ocultistas e esotéricos, com a complacência de Pierre Gaëtan Leymarie, pouco afeito a manter a mesma postura austera do Codificador.


Anos depois, no Brasil, os adeptos do rustenismo adiantaram-se e fundaram a Federação Espírita Brasileira (FEB), dominando amplamente o movimento espírita com uma avalanche de obras que, pouco a pouco, foram minando a divulgação e o estudo das obras da Codificação, considerada pelos mesmos superadas pela obra "Os Quatro Evangelhos" de J.-B. Roustaing, apelidada de "a Revelação da Revelação". Já nos idos de 1950, surgem os livros de Hercílio Maes, com ideias em oposição ao rustenismo e com a proposta de acrescentar ao Espiritismo práticas, ensinos e conceitos do rosacrucianismo e da teosofia, como pudemos claramente apontar em Artigo investigativo: Ramatis pode nem existir. A proposta? Uma só: estabelecer o que Hercílio apelidou de "universalismo", como se o Espiritismo, por si só, não fosse uma doutrina eminentemente universalista.


Vejamos, uma a uma, as definições de "universalismo" contidas no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, e verificaremos que a Doutrina espírita, mais do que qualquer outro conjunto de ideias (doutrina), é essencialmente universalista:
Universalismo - substantivo masculino;

1 Rubrica: religião.
"doutrina ou crença que afirma que todos os homens estão destinados à salvação eterna, em virtude da bondade de Deus"

Comentário: É exatamente isso o que ensina o Espiritismo. Acresce ainda que alcançamos o mais alto estágio evolutivo através da reencarnação (ou vidas sucessivas), onde nos são dadas as oportunidades de aprendizado e aperfeiçoamento intelecto-moral.

2 caráter do que é universal ou universalista; universalidade

Comentário: Allan Kardec, servindo-se de médiuns de praticamente todos os pontos do planeta e desconhecidos uns dos outros, atestou que os ensinos espíritas são de origem universal. Tal fato pode ser verificado no artigo Controle Universal do Ensino dos Espíritos (CUEE), o eficaz método espírita de aferição da Verdade. Além disso, o Espiritismo assenta-se sob fatos naturais e não admite nada do que se afaste dessas mesmas leis, imutáveis como o próprio Criador. Utilizando-se do critério de concordância universal, o codificador pôde chegar a um eficaz meio de aferição das mensagens que lhe chegavam.

3 tendência de tornar universal uma religião, uma ideia, um sistema etc., fazendo com que se dirija ou abranja a totalidade e não um grupo particular

Comentário: O Espiritismo se destina a todos, porque todos estamos submetidos às mesmas leis universais. Não se dirije somente aos espíritas, e nem defende qualquer beneplácito divino ou superioridade dos espíritas sobre os demais.

4 opinião dos que só reconhecem como autoridade o assentimento universal

Comentário: Como já foi dito e demonstrado, Allan Kardec utilizou-se de comunicações oriundas dos quatro cantos do planeta, tendo sido o único a sistematizar uma doutrina desta maneira. Portante, é errôneo afirmar que o Espiritismo tenha um viés unicamente ocidental, ou que tenha privilegiado o pensamento predominante no Ocidente.

Assim sendo, não há razão para fundar qualquer movimento pretensamente ligado ao Espiritismo que se auto-intitule "universalista", já que a própria Doutrina Espírita é, por si só, universalista.

Em nossas pesquisas, pudemos observar que os idealizadores do movimento universalista, os contemporâneos Edgard Armond e Hercílio Maes, ambos ramatisistas e adeptos de correntes espiritualistas orientais, intentaram, conscientemente ou não, na verdade, promover um sincretismo dessas filosofias com o Espiritismo. O primeiro, escrevendo livros de próprio punho, tendo sido o livro "Exilados de Capela" o que mais sucesso alcançou; o segundo, atribuindo tais ideias a um espírito "oriental" chamado Ramatis.

Edgard Armond foi inclusive chamado por Ramatis de "discípulo querido", sendo que boa parte do projeto de implantação da Aliança Espírita Evangélica, assim como os trabalhos mediúnicos em si e programação de estudos, foram inspirados nos ditados constantes das obras de Hercílio/Ramatis. Tais informações, para que fique claro que não estamos tirando de nossa cabeça, constam do livro “No Tempo do Comandante”, de Edelson da Silva Jr., uma biografia de Armond.

Preocupado com a situação, em que eram propagados Brasil afora uma série de práticas e informações que colidiam com o Espiritismo e afrontavam o método kardeciano, Deolindo Amorim lançou a preciosíssima obra "O Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas" (1958). Sem combater nenhuma corrente ou filosofia espiritualista, como a Teosofia, a Rosacruz, e as diversas seitas de origem asiática e africana, embora ressaltando eventuais coincidências de pontos filosóficos, Deolindo define, separa e identifica o que é o Espiritismo, mostrando a sua independência.


"(...) Todas as doutrinas organizadas têm o seu corpo de princípios, seus postulados, sua orientação. O Espiritualismo, em sua amplitude, é a matriz de muitas escolas, religiões e correntes filosóficas, mas a própria disciplina da inteligência exige que se dê a cada religião ou doutrina o seu lugar inconfundível: ESPIRITISMO é Espiritismo; TEOSOFIA é teosofia; ECLETISMO é ecletismo. É melhor discernir do que confundir, pois é discernindo que se põe ordem nas ideias para procurar a Verdade.


"O Espiritismo é uma doutrina universalista, e tanto quanto as doutrinas que mais o sejam; mas é indispensável não levar a noção de universalismo ao arbítrio de acomodações inconvenientes senão prejudiciais à clareza do espírito crítico. Repetimos que o Espiritismo é universalista, os seus problemas têm o sentido da universalidade, mas também é oportuno acentuar que o Espiritismo não é uma forma de sincretismo doutrinário ou religioso, sem unidade nem consistência. Não, absolutamente! Já se falseou muito a ideia de universalismo. Ser universalista é ter visão global do conhecimento, é estimar a universalidade dos valores espirituais acima e além de todas as configurações geográficas ou históricas. Universalismo é uma convicção, é uma posição consciente em face da cultura humana e espiritual; não é, portanto, a junção pura e simples de crenças, doutrinas e práticas diversas." (cap. I - A Reencarnação e as Escolas Orientais)


A última linha do brilhante comentário de Deolindo Amorim é uma descrição fiel do que acontece em núcleos espíritas (ou pretensamente espíritas) que adotam esse comportamento sincrético dito "universalista". Adoção de práticas mediúnicas exóticas (apometria, passes padronizados, etc.), utilização de terapias alternativas muitas vezes inócuas (cromoterapia, radiestesia, cristalterapia, etc.), venda de objetos tidos como concentradores ou debeladores de "energia" (cristais, incensos, defumadores, etc.), uso de uniformes e roupas especiais (jalecos brancos, imitando profissionais da saúde), e por aí vai.


Até mesmo o espírito André Luiz, entidade incensada por boa parte do contingente espírita, mostrou-se claramente contrário a essa postura agregacionista e oportunista: "Muitos, companheiros, sob a alegação de que todas as religiões são boas e respeitáveis, julgam que as tarefas espíritas nada perdem por aceitar a enxertia da práticas estranhas à simplicidade que lhes vige na base, lisonjeando indebitamente situações e personalidades humanas, supostas capazes de beneficiar as construções doutrinárias do Espiritismo.


No entanto, examinemos, sem parcialidade, a expressão contraditória de semelhante atitude, analisando-a, na lógica da vida.


Criaturas de todas as plagas dos Universos são filhas do Criador e chegarão, um dia, à perfeição integral. Mas, no passo evolutivo em que nos achamos, não nos é lícito estar com todas, conquanto respeitemos a todas, de vez que inúmeras se encontram em experiências diametralmente opostas aos objetivos que nos propomos alcançar.


Não existem caminhos que não sejam viáveis e todos podem conduzir a determinado ponto do mundo. Contudo, somente os viajores irresponsáveis escolherão perlustrar atalhos perigosos e desfiladeiros obscuros, espinheiros e charcos, no Dédalo de aventuras marginais, ao longo da estrada justa.


Indiscriminadamente, os produtos expostos num mercado são úteis. Mas sob a desculpa do acatamento que se deve a todos, não nos cabe comer de tudo, sem a mínima noção de higiene e sem qualquer consideração para com a própria saúde.


Águas de qualquer procedência liquidam a sede. No entanto, com a desculpa de que todas são valiosas, não é aconselhável se beba qualquer uma, sem qualquer preocupação de limpeza, a menos que a pessoa esteja nas vascas da sofreguidão, ameaçada de morte pelo deserto.


Sabemos que a legislação humana obtida à custa de sofrimento estabelece a segregação dos irmãos delinquentes para o trabalho reeducativo; sustenta a polícia rodoviária para garantir a ordem da passagem correta; mantém fiscalização adequada para o devido asseio nos recursos destinados à alimentação pública e cria agentes de filtragem para que as fontes não se façam veículos de endemias e outras calamidades que arrasariam populações indefesas.


Reflitamos nisso e compreenderemos que assegurar a simplicidade dos princípios espíritas, nas casas doutrinárias, para que as sua atividades atinjam a meta da libertação espiritual da Humanidade não é fanatismo e nem rigorismo de espécie alguma, porquanto, agir de outro modo seria o mesmo que devolver um mapa luminoso ao labirinto das sombras, após séculos de esforço e sacrifício para obtê-lo, como se também, a pretexto de fraternidade, fôssemos obrigados a desertar do lar para residir nas penitenciárias; a deixar o caminho certo para seguir pelo cipoal; a largar o prato saudável para ingerir a refeição deteriorada e desprezar a água potável por líquidos de salubridade suspeita." ("Práticas Estranhas", livro "Opinião Espírita" (1963) - F.C. Xavier)


Assim sendo, o alerta está dado. Infelizmente, os interessados em tornar o movimento espírita um celeiro de fantasias muito se aborrecem com esses comentários, mas é preciso que não nos deixemos enganar. Há muitos interesses envolvidos nisso, tanto materiais, quanto espirituais. De um lado, espíritos pseudossábios, autênticos falsos profetas da erraticidade, charlatões da espiritualidade, que revestem suas mensagens das palavras de amor, caridade, etc. apenas com o intuito de melhor enganarem acerca de suas luzes. Ditam o que lhes vêm à cabeça com o intuito de promover a confusão. Do outro, indivíduos encarnados que pouco se aprofundaram no estudo sério da Doutrina Espírita, desejosos por terem sobre si os holofotes e o dinheiro que esse grande mercado da literatura "trash" pseudo-espírita tem proporcionado.


Cabe aos dirigentes espíritas discernir que "tolerar" não significa o mesmo que "transigir". Toleramos a todos, amamos a todos, mas a título de amar não nos é lícito conspurcar aquilo que nos é mais caro: o Espiritismo e sua missão de libertação das consciências das faixas da ignorância, causa primária de tudo aquilo que causa sofrimento e impede as almas de voarem mais celeremente rumo à perfeição.
 
 
 
Fonte: http://espiritismoxramatisismo.blogspot.com.br
 

segunda-feira, 2 de abril de 2012

CULTO DOS BONS EXEMPLOS NO LAR (Uma opção verdadeiramente espírita)


Recebemos do confrade José Manoel F. Barbosa, Presidente do C.E. Friburguense, de Nova Friburgo/RJ, a dissertação abaixo, que, por acharmos excelente, publicamos com sua autorização:


 
“Compete a todo religioso a prática de virtudes cada vez mais intensamente até o ponto em que se transforme num fator de paz, harmonia e equilíbrio, em qualquer ambiente do qual participe. É a prece traduzida em cada pensamento, em cada palavra e em cada ato praticado, sem nenhuma formalidade teórica ou ritualística, oriunda das religiões que antecederam o Espiritismo. Segundo a Doutrina Espírita, estamos todos aqui na Terra para conquistar essas virtudes e tornarmo-nos merecedores de mundos melhores, onde a prática do bem, o respeito e a fraternidade, efetivam a felicidade que ainda não é possível alcançar neste mundo de provas e expiações.


 
“Nesta linha de raciocínio, coerente com o conhecimento do Espiritismo, está a convicção de que tais conquistas não são privilégios exclusivos do Cristianismo. O Budismo, o Hinduismo, o Islamismo e tantas outras correntes religiosas ou filosóficas, poderão ser eficientes para que essas virtudes sejam alcançadas por qualquer criatura interessada em se harmonizar com as leis de Deus. Logo, a Doutrina Espirita não apresenta o Cristianismo como único caminho, já que a verdadeira família universal não será a dos cristãos nem a dos budistas, mas, sim, a dos que obtiverem o domínio sobre si próprios, a ponto de fazerem a vontade de Deus que só pode ser a da prática do bem em todas as circunstâncias, como expressão do amor ao próximo.



“Com tais argumentos, podemos nos convencer de que o mais sensato, eficaz e justo, segundo os objetivos da criação, é o estímulo e o fomento de esclarecimentos para que cada religioso desenvolva a vigilância de seus próprios atos, a fim de ser exemplo em qualquer lugar onde se encontre, e, principalmente, EXERCITAR EXEMPLOS DE RESPEITO, DE COMPREENSÃO, TOLERÂNCIA E AMOR NO LAR, mesmo ou principalmente quando seu grupo familiar esteja repleto de entes queridos adeptos de outras crenças ou sem nenhuma delas, pois, se já forem todos espíritas, compondo as reuniões dos centros, transformar o lar em mais um centro espírita já seria demonstrar um sintoma de exagero com lampejos de nascente fanatismo! (grifo do autor).


 
“Somente os bons exemplos e não formalidades ou cultos pretensiosos, copiados ou inspirados por espíritos ainda comprometidos com as práticas de suas antigas crenças, serão capazes de harmonizar o relacionamento entre os que pensam diferente, porque, não terão como contestar os resultados maravilhosos da vivência em paz, harmonia e solidariedade do grupo familiar. Devemos observar que, no próprio Evangelho SEGUNDO (grifo do autor) o Espiritismo, a recomendação básica, após excluir quatro dos cinco aspectos dos escritos bíblicos, é de que nos dediquemos ao conteúdo moral (pela razão) e não aos outros que são místicos, históricos, tendenciosos ou lendários, próprios para gerarem o fanatismo oriundo da fé cega. Dessa forma, um verdadeiro espírita não poderá jamais se constituir no motivo das discórdias, desavenças e antipatias no ambiente familiar, implantando o Culto do Evangelho, Livro dos Espíritos ou quaisquer outros que abalariam as estruturas do lar serviriam para aumentar discriminações (já existentes) ou inaugurar antipáticas divisões e preconceitos. Imaginemos 3 ou 4 tipos de tendências ou religiões diferentes num mesmo lar; qual delas deverá predominar?


 
“A bem da verdade, nem mesmo as cristãs serviriam de exemplo, pois se houvesse sentido em harmonizar pelo Evangelho, só existiria uma única religião cristã, já que o Evangelho é o mesmo, em que pese em 150.000 palavras do Novo Testamento inteiro existirem mais de 200.000 variantes, além das clássicas divisões entre católicos, ortodoxos (russos e gregos), luteranos que originaram os protestantes ou evangélicos, Metodistas, Batistas, Anglicanos, Presbiterianos, Congregacionistas, Pentecostais, Neopentecostais, além de Adventistas, Mórmons e Testemunhas de Jeová, todos oriundos do mesmo e único Evangelho de Jesus!


 
“Jesus, por Jesus, qual a versão ou tendência do Evangelho que deveria ser estabelecida no culto no lar diante dos registros históricos citados acima? Já pensaram?
“O bom senso e a razão afastam a ingenuidade e mostram claramente e, sem grande esforço intelectual, a inconveniência de se continuar imitando o mecanismo da catequese católica e/ou protestante, com “Culto do Evangelho no Lar”. Aliás, os espíritos ditos benfeitores que estimulam esse processo, todos ex-católicos hoje “aceitos” pelo movimento como espíritas, deveriam atuar junto ao Catolicismo, lá pregando a certeza da reencarnação com vistas à perfeição para todos; os mundos habitados e a comunicabilidade dos espíritos, além, é claro, de combater os rituais, a idolatria e o ainda vivo atuante culto ao bezerro de ouro, exatamente como recomenda o Evangelho SEGUNDO o Espiritismo (grifo do autor) na “Missão dos Espíritas”. Se após desencarnados, reconhecerem os erros da doutrina católica que defendiam, estão faltando com a caridade que tanto apregoam, deixando órfãos da verdade (que agora dizem conhecer) seus irmãos que continuam equivocados! Entretanto, cá estão eles (ex-integrantes do clero) com a falsa e insustentável posição de ensinar Espiritismo, para os espíritas, inovando com cultos e outros deslizes a irretocável Codificação elaborada pelo mestre. Allan Kardec, prévia e exclusivamente determinado por Deus para esta missão!... (grifo do autor)


 
“Sejamos no lar pessoas normais (...) Não nos isolemos para cultuar Jesus (...) Abracemos, acariciemos, sejamos solidários, humildes e, somente quando solicitados sobre o assunto, falemos sobre nossa religião ...


 
“Jesus, (...) estará nos lares onde se exercitem os bons exemplos e não onde se formalizem cultos, cantorias ou ladainhas ...


 
“Pensemos livremente sobre isso e façamos a nossa parte em favor do entendimento das regras claras expressas pela Terceira Revelação de Deus nas cinco obras básicas que constituem a Codificação elaborada por Allan Kardec”.


 
Seguem-se dez recomendações para análise.

RECOMENDAÇÕES PARA SEREM ANALISADAS NO CASO

01. Agir no ambiente familiar com simpatia, humildade e simplicidade...
02. Estar sempre disposto a auxiliar o ente querido...
03. Não provocar discursos religiosos...
04. Não marcar horários para falar sobre sua crença...
05. Conviver, fraternalmente, com os filhos mesmo quando eles adotam entendimento religioso diferente..;
06. Nunca esquecer que abrir precedente para se praticar “seu culto” cria a mesma oportunidade para os outros praticarem os deles...;
07. Nunca perder de vista que Jesus não pregava em sua própria casa...;
08. Estudar em casa, naturalmente, as obras básicas, porém de forma discreta e sem alarde...;
09. Não usar a religião como um rótulo de satisfação social e sim como alavanca par transformação moral.
10. No estudo dos ensinos dos Espíritos sempre agir e apreciar COM A PRÓPRIA RAZÃO e não ficar à caça do que disseram os outros (encarnados ou desencarnados)


José Manoel F. Barbosa
Do Centro Espítia Friburguense
OBSERVAÇÃO: Para conseguir esse pronunciamento e essas recomendações na íntegra, basta dirigir-se ao Centro Espírita Friburguense, cuja sede funciona na Av. Comandante Bittencourt, nº 102-Centro-Nova Friburgo/RJ (CEP = 28.625-000)



 
Fonte: http://www.ofrancopaladino.pro.br/mat619.htm

O Que Não É Espiritismo

Por Artur Felipe Azevedo


 

Dentro de nossa proposta de levar ao conhecimento geral o que é a Doutrina Espírita, em oposição aos que propõem um ecletismo ilógico e até mesmo absurdo no Movimento Espírita, listaremos aqui algumas práticas e conceitos que nada têm a ver com o Espiritismo, embora sejam divulgadas em alguns núcleos sincréticos como sendo corroboradas pela Doutrina.



Sabemos que o povo brasileiro tem uma forte tendência ao sincretismo, sendo que espíritos e indivíduos encarnados têm explorado tal atavismo com o intuito de promover, intencionalmente ou não, a confusão, com o qual desejam minar a proposta espírita, tal qual foi feito com o Cristianismo, transformado em uma autêntica colcha de retalhos devido às centenas de interpretações e desinteligências entre seus adeptos ao longo do tempo.



Vamos, então, a essa extensa lista:



1 - Kardecismo (termo impróprio e não presente na Codificação);

2 - Crença na existência de "almas gêmeas";

3 - Incorporação (termo inexato, uma vez que nenhum espírito "entra" no corpo de um encarnado);

4 - Apometria;

5 - Animais no plano espiritual;

6 - Médiuns perfeitos;

7 - Mesa branca (a toalha colocada sobre as mesas dos Centros pode ser de qualquer cor, e nem há "linhas" espíritas. O Espiritismo é um só, aquele codificado por Allan Kardec a partir de 1857);

8 - Assistencialismo institucional (a proposta espírita visa o esclarecimento, a caridade moral. Centros podem ou não dedicar-se à caridade material.

9 - Hinário "espírita" (o Espiritismo dispensa cantorias ou espetáculos de adoração exterior);

10 - Exilados de Capela (teoria sem comprovação e sem embasamento doutrinário.

11 - Sincretismo (o Espiritismo possui axiomas e princípios que lhes são próprios, não se coadunando com práticas de movimentos religiosos, embora respeite todas as religiões e identifique alguns dos seus ensinos como sendo reflexos da Verdade);

12 - Idolatria a médiuns e espíritos;

13 - Mariolatria (o fato de ter sido mãe biológica de Jesus nada tem a ver com sua suposta elevação espiritual. "O que é da carne é da carne, o que é do espírito é do espírito";

14 - Obrigação de "frequência" a centro espírita;

15 - Consulência;

16 - Casamentos, batizados, bençãos e formaturas;

17 - Culto no lar;

18 - Uso de imagens, altares, pinturas, símbolos, velas, pirâmides, incensos, defumadores, banhos de "descarrego", amuletos e talismãs;

19 - Simpatias;

20 - Prece mecânica e/ou decorada;

21 - "Dono" de centro espírita;

22 - Corrente de orações;

23 - Vegetarianismo;

24 - Astrologia ou adoção de signos astrológicos;

25 - Planeta chupão;

26 - Virgindade de Maria e outros mitos bíblicos como Adão e Eva, Arca de Noé, etc.;

27 - Comemoração de datas religiosas;

28 - Elementais (duendes, fadas, etc.);

29 - Crianças índigo, cristal ou equivalentes;

30 - Corpo fluídico de Jesus (teoria rustenista inspirada no docetismo que não encontra respaldo na Doutrina. Jesus teve um corpo carnal, como todos nós);

31 - Vale dos suicidas, dos drogados, dos tatuados, etc.;

32 - Jesus como "salvador", "cordeiro de Deus", etc.;

33 - Crença na existência de alguma "Casa Máter" do Espiritismo;

34 - Brasil como pátria escolhida por Deus, "coração do mundo, pátria do Evangelho";

35 - Crença em Anticristo, Satanás, inferno e penas eternas;

36 - Rituais, simpatias, novenas, mantras ou utilização de quaisquer bebidas (alcoólicas e alucinógenas) antes, durante ou após as reuniões.



*Artigo inspirado em tópico presente na Comunidade "Eu Sou Espírita", na Rede Social Orkut.

 

Fonte: http://espiritismoxramatisismo.blogspot.com.br/2010/05/o-que-nao-e-espiritismo.html