domingo, 17 de junho de 2012

A REORGANIZAÇÃO DO ESPIRITISMO



Por Maria das Graças Cabral


A Doutrina dos Espíritos foi codificada e positivada por Allan Kardec em meados do século XIX. À época com grande satisfação asseverava o Codificador em várias oportunidades, que eram numerosos os espíritas disseminados por todos os países. O espiritismo avançava a passos largos!
 
Passados mais de um século do desencarne do Codificador, e vivenciando a primeira década do século XXI, pode-se lançar as seguintes indagações: - Afinal, o Espiritismo se propagou e se consolidou no mundo contemporâneo e globalizado? Seus princípios foram difundidos de forma célere e efetiva? Temos um grande número de escolas, e universidades espíritas ensinando espiritismo mundo afora? O Brasil, estatisticamente considerado o maior reduto de espíritas do mundo, cumpre seu papel de divulgador fiel do Espiritismo?
 
Para tais questionamentos podemos afirmar de pronto e objetivamente, que a Doutrina Espírita, não se propagou nem se consolidou pós desencarne de Allan Kardec. Na França, berço da Sociedade de Paris, segundo narrativa de Gélio Lacerda da Silva “a Revista Espírita, caiu nas mãos do seu gerente Pierre Gaëtan Leymarie, que por seu excessivo espírito de tolerância, desvirtuou a finalidade da Revista, abrindo suas páginas à propaganda de filosofias espiritualistas, inclusive à de Roustaing, que diverge do Espiritismo. Além disso, lamentavelmente, o Sr. Leymarie se deixou enganar por um fotógrafo fraudulento, que lhe custou um ano de prisão, com danosas conseqüências para o Espiritismo, na França, tanto que, com esse triste episódio, espírita na França, passou a ser sinônimo de "escroque" (trapaceiro, vigarista, velhaco, caloteiro...)" citando o autor como fonte de consulta o livro "Allan Kardec" de autoria de Zeus Wantuil e Francisco Thiesen, 1ª edição da FEB, vol. III, pág. 225.
 
Nos demais países europeus, o espiritismo tomou rumos diversos, até seu total desaparecimento na poeira dos tempos. Da mesma forma aconteceu na América do Norte, reduto dos fenômenos de Hydesville, dentre muitos outros.
 
No que concerne ao Brasil, segundo as palavras de Gélio temos “um sincretismo religioso de ideologias conflitantes, um misto, ou melhor, uma miscelânea de espiritismo, roustainguismo, ubaldismo, umbandismo. Sim, até umbandismo, porque, para a Diretoria da FEB, onde há mediunismo, há também espiritismo (Reformador, 16/10/26), enfim, um saco de gatos..." (Gélio Lacerda da Silva, "Conscientização Espírita", págs. 108 a 114).
 
Não obstante, Allan Kardec muito prezou em evitar que o espiritismo se transformasse em mais uma religião dogmática e mística, por ser segundo suas palavras uma doutrina filosófica e moral, que tem por objetivo emancipar o espírito humano de tudo o que foi posto e imposto pelas religiões tradicionais. À esse respeito, assim se expressou o Mestre: “Por que, então, temos declarado que o Espiritismo não é uma religião? Em razão de não haver senão uma palavra para exprimir duas idéias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; porque desperta exclusivamente uma idéia de forma, que o Espiritismo não tem. Se o Espiritismo se dissesse uma religião, o público não veria aí mais que uma nova edição, uma variante, se se quiser, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; não o separaria das idéias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes a opinião se levantou.” (Revista Espírita, dezembro de 1868)
 
Entretanto, a despeito da vontade do Codificador, o espiritismo brasileiro tomou um formato religioso igrejeiro, com centros espíritas que adotam práticas ritualísticas, místicas e anti-espíritas, que vão desde os cantos religiosos, rezas (Pai-Nosso, Ave-Maria, A Prece de Cáritas), exercícios de meditação com o canto de mantras, filas para o recebimento de passes, assemelhando-se às filas de comunhão católica; águas fluidificadas que se assemelham às “águas bentas”; o funcionamento de salas de cromoterapia, de cirurgias espirituais, até a substituição das imagens dos santos católicos, pelas fotografias emolduradas de Jesus, Maria de Nazaré, Allan Kardec, Léon Denis, Bezerra de Menezes, Emmanuel, André Luiz, Chico Xavier, dentre outros, afixadas em suas paredes e fixadas pelos olhar devoto de seus freqüentadores.
 
Não obstante, além das questões de “forma”, temos as questões de “fundo”, sendo estas últimas também deturpadoras dos princípios doutrinários espíritas. A corrupção doutrinária é disseminada pela literatura e pelos palestrantes. Entretanto, considero o grande adulterador do espiritismo, os livros catalogados, editados, e distribuídos como “obras complementares” da doutrina espírita, pela Federação Espírita Brasileira (FEB) - que também utilizando-se do modelo católico se auto intitula a “Casa Mater” do Espiritismo.


Faz-se por oportuno observar, que os centros espíritas espalhados por todo o território nacional, têm a cultura de instalar em suas dependências, um local para venda ou empréstimo de livros espíritas. Por conseguinte, qualquer visitante ou novo freqüentador que adentrar às dependências do centro, vai se deparar com uma pequena ou grande livraria oferecendo os mais diversos títulos, tidos como “obras espíritas“, que vão desde os livros de auto-ajuda, até os exemplares anti-doutrinários de autores encarnados e/ou desencarnados, que se contrapõem frontalmente aos princípios espíritas.




Assim, aquele que nada sabe de espiritismo, encontrará nas prateleiras da ditas livrarias, desde Os Quatro Evangelhos de Roustaing, um grande opositor de Allan Kardec, ao místico Ramatís, passando pela coleção André Luiz/Emmanuel, psicografadas pelo famoso médium Chico Xavier, trazendo toda uma gama de informações questionáveis e em total desacordo com os preceitos espíritas.
 
Na linha romanesca, obterá os romances de Zíbia Gaspareto, as famosas Violetas na Janela, a miscelânea do Espírito Luis Sérgio, O Vale dos Suicidas, de Yvone Pereira do Amaral, além da coleção Joanna de Angelis e Manoel Philomeno de Miranda psicografados por Divaldo Pereira Franco.
 
E neste mundo literário confuso e contraditório, o visitante ou novo freqüentador poderá achar uma estante perdida ao fundo da esfuziante livraria e/ou biblioteca, com uma exposição muito comumente incompleta, de O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, A Gênese, O que é o Espiritismo, Obras Póstumas, e talvez alguns poucos volumes da Revista Espírita!
 
Diante desta realidade, explica-se a assustadora quantidade de pessoas que se dizem espíritas e NUNCA leram sequer uma obra fundamental da doutrina Espírita, entendendo-se que o neófito ao se deparar com toda essa diversidade de livros ofertados pela instituição Espírita, acreditará por óbvio encontrar naquelas páginas o repositório de informações, e conhecimentos formalmente espíritas!
 
Agravando a situação de “fundo” da doutrina, o iniciante terá provavelmente na instituição que passa a freqüentar, como monitores, facilitadores, doutrinadores, ou expositores, pessoas despreparadas e desconhecedoras das Obras Fundamentais da Doutrina Espírita, sendo estes na sua grande maioria leitores contumazes das psicografias de Chico e Divaldo, de Ramatis, dos Tambores de Angola, do Aconteceu na Casa Espírita, e obviamente de Violetas na Janela!
 
Vale ressaltar, que na sua grande maioria, o critério de admissão para os trabalhos de dirigente de grupo, de médium ou doutrinador nas reuniões mediúnicas, é que tenha “boa vontade”, e quando muito, se arvore como leitor das famosas obras complementares - leia-se coleção André Luiz/Emmanuel! Por conseguinte, o neófito do espiritismo estará sendo formado para tornar-se o próximo divulgador mistificado e mistificador da Doutrina Espírita, levando adiante a “corrente do mal”.
 
Portanto, face ao exposto que é a constatação real do que são os centros espíritas de norte a sul do Brasil, entendo ser uma temeridade indicar em sã consciência uma instituição espírita para alguém que busque conhecer e estudar o espiritismo... E então, o que fazer?!
 
Diante do total desvirtuamento da Doutrina dos Espíritos, é fato que precisa-se urgentemente reorganizá-La, e Kardec com toda a competência quando trata do assunto, começa se reportando aos adeptos “ainda isolados sob meio a uma população hostil ou ignorante das idéias novas”. Esta é a realidade dos espíritas contemporâneos não submersos no misticismo espírita. Encontram-se isolados no meio de uma população hostil e ignorante das idéias espíritas, sendo considerados por toda a falange mística, como ortodoxos obsidiados e inimigos contumazes do espiritismo.
 
Entretanto, o Codificador orienta que tais espíritas “para começar, podem trabalhar por conta própria, impregnando-se da doutrina pela leitura e meditação das obras especiais”, ou seja, as obras fundamentais da doutrina espírita, ressalvando que “se se limitassem a colher na doutrina uma satisfação pessoal, seria uma espécie de egoísmo”. Acrescenta que “em razão de sua própria posição, têm uma bela e importante missão de espalhar a luz em seu redor”. Adverte ainda que não devemos nos deixar deter pelas dificuldades, posto que “sem dúvida encontrarão oposição, serão alvo de zombarias e dos sarcasmos dos incrédulos, da própria malevolência das pessoas interessadas em combater a doutrina; mas, onde estaria o mérito, se não houvesse nenhum obstáculo a vencer?” E assevera que “aos que forem detidos pelo medo pueril do que os outros pensariam deles, nada temos a dizer, nenhum conselho a dar.” (Revista Espírita, dezembro de 1861, Organização do Espiritismo)
 
Daí, estabelece Kardec algumas questões importantes para a formação dos grupos, dispondo que a primeira questão a ser considerada é a “uniformidade na doutrina”, significando que todos deverão seguir “a linha traçada em O Livro dos Espíritos e em O Livro dos Médiuns, posto que, “um contém os princípios da filosofia da ciência; o outro, as regras da parte experimental e prática“. Complementa afirmando que “estas obras estão escritas com bastante clareza, de modo a não ensejar interpretações divergentes, condição essencial de toda doutrina nova.” (Revista Espírita, dezembro de 1861, Organização do Espiritismo)
 
O segundo ponto abordado pelo Codificador diz respeito à constituição dos grupos, estabelecendo como uma das primeiras condições a homogeneidade, que segundo suas palavras, “sem a qual não haveria comunhão de pensamentos”, e acrescentando que “uma reunião não pode ser estável, nem séria, se não há simpatia entre os que a compõem; e não pode haver simpatia entre pessoas que têm idéias divergentes e que fazem oposição surda, quando não aberta.” Esclarece o mestre que “cada um pode e deve externar sua opinião; mas há pessoas que discutem para impor a sua, e não para se esclarecer.”
 
No que concerne às perturbações advindas das discussões por divergência e imposição de opiniões, diz Kardec que “as reuniões espíritas estão em condições excepcionais”, requerendo acima de tudo recolhimento. “Ora, como estar recolhido se, a cada momento, somos distraídos por uma polêmica acrimoniosa? Se, entre os assistentes, reina um sentimento de azedume e quando sentimos à nossa volta seres que sabemos hostis e em cuja fisionomia se lê o sarcasmo e o desdém por tudo quanto não concorde inteiramente com eles?” (Revista Espírita, dezembro de 1861, Organização do Espiritismo)
 
Em seguida preceitua que “num grupo sempre há elementos estáveis e flutuantes. O primeiro é composto de pessoas assíduas, que formam a base; o segundo, das que são admitidas temporária e acidentalmente. É essencial prestar escrupulosa atenção no que respeita à composição do elemento estável; neste caso, não se deve hesitar em sacrificar a quantidade pela qualidade, porque é ele que dá impulso e serve de regulador.” ( ) “Não se deve perder de vista que as reuniões espíritas, como, aliás, todas as reuniões em geral, haurem as forças de sua vitalidade na base sobre a qual se assentam; neste particular, tudo depende do ponto de partida.” (Revista Espírita, dezembro de 1861, Organização do Espiritismo)
 
Pontua Kardec que “formado esse núcleo, ainda que de três ou quatro pessoas, estabelecer-se-ão regras precisas, seja para as admissões, seja para a realização das sessões e para a ordem dos trabalhos, regras às quais os recém-vindos terão de se conformar.” (Revista Espírita, dezembro de 1861, Organização do Espiritismo)
 
Adiante adverte que a “ordem e a regularidade dos trabalhos são coisas igualmente essenciais, considerando de grande utilidade abrir cada sessão pela leitura de algumas passagens de O Livro dos Médiuns e de O Livro dos Espíritos. Segundo Kardec por esse meio, “ter-se-ão sempre presentes na memória os princípios da ciência e os meios de evitar os escolhos encontrados a cada passo na prática. Assim, a atenção será fixada sobre uma porção de pontos, que muitas vezes escapam numa leitura particular e poderão ensejar comentários e discussões instrutivas, das quais os próprios Espíritos poderão participar.” (Revista Espírita, dezembro de 1861, Organização do Espiritismo)
 
Por fim, faz-se por oportuno ressaltar as seguintes considerações feitas pelo Codificador: “Como se vê, nossas instruções se destinam exclusivamente aos grupos formados de elementos sérios e homogêneos; aos que querem seguir a rota do Espiritismo moral, visando o progresso de cada um, fim essencial e único da doutrina; enfim, aos que nos querem aceitar por guia e levar em conta os conselhos de nossa experiência. É incontestável que um grupo formado nas condições que indicamos funcionará em regularidade, sem entraves e de maneira proveitosa. O que um grupo pode fazer, outros também podem. Suponhamos, então, numa cidade, um número qualquer de grupos, constituídos sobre as mesmas bases; necessariamente haverá entre eles unidade de princípios, desde que seguem a mesma bandeira; união simpática, desde que têm por máxima amor e caridade. Numa palavra, são os membros de um a família, entre os quais não haveria concorrência, nem rivalidade de amor-próprio, já que todos estão animados dos mesmos sentimentos para o bem.” (Revista Espírita, dezembro de 1861, Organização do Espiritismo)
 
Diante do exposto, entendo que a reorganização do espiritismo passará pelo mesmo processo inicial que se deu à época de Kardec, ou seja, com a formação de pequenos grupos, livres do personalismo e do misticismo implantado no que está posto.
 
Serão esses novos grupos que estudarão a doutrina espírita tendo como fonte as obras fundamentais, e resgatarão o pensamento espírita, rechaçando os rituais, e a necessidade infantil de se eleger alguém para reverenciar e seguir!
 
Aquele que estuda a doutrina espírita, entende porque ela é libertadora. A liberdade está justamente na responsabilidade trazida pelo conhecimento. Passa-se a entender que não serão os passes, a água fluidificada, as rezas, as velas, o evangelho no lar, nem os Espíritos que nos “salvarão”! Será o trabalho solitário e árduo do nosso Espírito imortal, buscando aparar as arestas da nossa personalidade infantil, depois de compreendermos e assimilamos a dinâmica da vida ora no plano material, ora no plano espiritual.
 
Finalizando, reitero o entendimento de que será através de um movimento que estimule e propague a formação de pequenos grupos espíritas, organizados nos moldes kardecianos, tendo como componentes companheiros unidos pelo mesmo ideal, dedicados ao estudo e à divulgação do espiritismo, que teremos um novo recomeço. Precisamos acreditar como Kardec acreditou, que a doutrina espírita avançará! Para tanto, faz-se necessário exercitarmos a comunhão de pensamentos, amadurecendo e dando vida a essa idéia. Como asseverava o Codificador, o pensamento é uma força ativa que se tornará mais forte e eficiente quanto maior o número de homens e Espíritos unidos num mesmo objetivo. Esta será a “corrente do bem!”



29 comentários:

  1. Somente há pouco tempo percebi os equívocos das literaturas ditas "complementares". Mas, faço a seguinte indagação à Autora: retirando a parte doutrinária que às vezes se equivoca, quando não deturpa as obras básicas, essas obras, do ponto de vista moral, não são ao menos dignas de reflexão?.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A questão das mensagens de cunho moral utilizadas pelos Espíritos mistificadores, são utilizadas justamente para dar credibilidade às 'deturpações' doutrinárias que estão permeando o texto. Kardec nos adverte quanto a tais questões. Daí, a importância do estudo e reflexão da escala espírita (pergunta 100 de o LE).

      Excluir
  2. Penso que a questão das "complementares" está na pretensão das pessoas em tomá-las como principais e absolutas, sobrepujanto aspectos bem descritos por Kardec e afiançados pela espiritualidade superior. Aí que mora o perigo: quer ler? leia, mas não a tome como verdade inquestionável, como um relato; submeta o texto às obras de Kardec e à sua própria razão, liberte-se da visão cristianizada da vida aqui e além. Bons conselhos até nossos inimigos nos dão...
    E se para recuperarmos nossa própria razão for necessário recomeçar, que assim seja!

    ResponderExcluir
  3. Interessante o texto da autora não abordar, em nenhum momento, o "Evangelho Segundo o Espiritismo", que é justamente a base para que o "Livro dos Médiuns" tenha alguma utilidade.

    Ou se pretende discutir "ritos cristãos" com os espíritos sofredores nas sessões mediúnicas?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Caro (a) leitor (a), concordo plenamente da grande importância do estudo e abordagem de O Evangelho Segundo o Espíritismo, começando o estudo pela Introdução do Evangelho quando o Codificador no item II intitulado a AUTORIDADE DA DOUTRINA ESPÍRITA, o Codificador fala do CONTROLE UNIVERSAL DOS ENSINAMENTOS DOS ESPÍRITOS. Requisito fundamental para análise de toda e qualquer comunicação mediúnica, incluindo obviamente as psicografias e psicofonias. Então Kardec orienta logo na Introdução de o ESE, o cuidado com a doutrina, alertando e orientando o controle das comunicações. Obviamente que numa mediúnica não se vai discutir ritos nem religiões, mas condições de sofrimento, desespero, atordoamento, perturbação em sua grande maioria dos casos. E obviamente, o caminho mais seguro é o da compreensão, empatia, e compaixão pelo outro,isto é inquestionável. Independentemente de religião, de credo. É fato que existem milhares de pessoas que não acreditam em nada e são muito mais generosas e "cristãs" do que os que adotam alguma crença. Portanto, o caminho não é bem por aí.

      Excluir
    2. kkkkk quer dizer que, sem o ESE, O Livro dos Mediuns não tem utilidade? por que este foi criado primeiro, então? deixe Kardec ouvir isso. todos os livros de Kardec têm sua importancia e formam um todo. nenhum da codificação é inutil em hipotese alguma. muitos livros de mediuns famosos é que são completamente inuteis.

      Excluir
  4. “Espíritas! Amai-vos, eis o Primeiro Ensinamento; Instruí-vos, eis o Segundo”.

    O Brasil está fazendo agora o que a Sociedade Parisiense preteriu... Deve-se AMAR, em primeiro lugar, sendo a instrução a solidificação da fé raciocinada(aquela que pode encarar a razão em todas as épocas da humanidade).

    Ignorar a profundidade de conhecimentos e reflexões que nos são brindadas pelas obras de Chico, Divaldo e Yvone Pereira é o mesmo que ignorar que o Espiritismo é, nada mais nada menos, que o CRISTIANISMO redevivo! Jesus é o MESTRE! Kardec nos brindou com a consolação do entendimento porque ha 2010 não conseguimos SENTIR todo o amor pelo próximo que Jesus então nos ensinou...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Anonimo, se Kardec nos brindou com algo de bom, por que não assumimos sua obra e suas orientações como diretrizes seguras? Por que as preterimos em benefício de outras lideranças, as vezes em contradição com ele? Siga a Doutrina Espírita passo a passo nos livros do fundador Kardec e depois compare com as idéias dos autores que tu cita, e então verá que são propostas diferentes, embora o fundo moral seja comum.

      Excluir
  5. Caro (a) leitor (a), concordo plenamente com a grande carência da vivência do Amor, por que passa a humanidade desde sempre.
    No que concerne a ignorar a "profundidade de conhecimentos e reflexões" dos autores citados no texto, o aspecto abordao foi o seguinte. Entendo, que qualquer pessoa que deseje conhecer a Doutrina dos Espíritos, OBRIGATORIAMENTE deverá começar pelo estudo das OBRAS FUNDAMENTAIS, pois são estas as obras ditadas pelos Espíritos Superiores e codificadas por Allan Kardec. Daí, depois da compreensão e conhecimento dos princípios espíritas, estar-se-á apto a ler qualquer obra espiritualista ou espírita, pois saberá separar o joio do trigo. As obras de Emmanuel, André Luiz e outros trazem várias incongruências com os preceitos espíritas. Qualquer pessoa que tenha estudado a Doutrina dos Espíritos, facilmente identificará. Não obstante, o (a) leitor (a) argumenta a "profundide de conhecimentos e reflexões". Mais um aspecto de cuidado. Poderemos obviamente aproveitar as mensagens de cunho moral elevados, que entretanto muito comumente são utilizados para permear com informações anti-doutrinárias, muito própria de espíritos pseudo-sábios.
    Finalmente, concordo plenamente que precisamos Amar-nos e Instruirmo-nos, o que nada tem a ver em permitirmos que a Doutrina Espírita seja adulterada, coisa que Kardec nunca admitiu. O Mestre foi um ferrenho defensor dos princípios doutrinários estabelecidos pela espiritualidade superior.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Prezada Graça,

      Obrigado pela resposta.
      Eu só faria uma ressalva á ilustre autora. Quando escreve "As obras de Emmanuel, André Luiz e outros trazem várias incongruências com os preceitos espíritas. Qualquer pessoa que tenha estudado a Doutrina dos Espíritos, facilmente identificará."

      Quando fala de forma tão simplificada e direta, indiretamente acaba por ofender a grande maioria dos MILHÕES de estudiosos espíritas que tomam tais espíritos, apesar de suas imperfeições, como exemplo e guias complementares.

      Tratar um verdadeiro discípulo de Jesus moderno, como Chico Xavier, como um médium qualquer, despreparado e iletrado, englobando outras referências do movimento, como Divaldo Franco (que prega a leitura de Kardec em todas as suas palestras) parece demonstrar que a prezada autora se considera uma estudiosa do Espiritismo e conhecedora da Doutrina maior que tais médiuns (um tem 85 anos e o outro desencarnou aos 92, tendo desde a mocidade se dedicado às obras de Kardec).

      Ainda que este fosse o caso, o Espírito de Verdade nos ensinou que a humildade deve ser sempre nosso guia e dispensar e tratar as obras de tais médiuns como mistificações pode parecer até falta de caridade e falta de respeito para com esses irmãos que dedicaram sua encarnação INTEIRA ao bem do próximo e ao bem da doutrina.

      Ainda que haja alguma divergência, que sinceramente ainda não foi demonstrada com clareza em nenhum dos seus textos, os preceitos e as mensagens de todas as obras de tais autores de modo algum se chocam com os preceitos da doutrina, pelo contrário, os corroboram. A reencarnação é explicada à exaustão, o efeito mediúnico explicado nos mínimos detalhes, a lei de Amor de Deus está sempre em evidência, jesus é sempre tratado como nosso Mestre e referencial de vida, modelo a ser seguido. Não há proselitismo em prol de nenhuma religião nem tais autores buscam criar ritos ou qualquer forma de simbologia IRRACIONAL. Todos os seus preceitos têm uma explicação.

      Se não fosse tão cheio de limitações, teria a pretensão de pedir que tivesse mais carinho e amor ao tratar dos irmãos de ideal espírita que dedicaram toda uma existência em busca do amor ao próximo e da reforma íntima, coisa que eu e você ainda estamos longe de alcançar.

      Abraços fraternos

      Excluir
    2. Caro leitor (a), mais uma vez seja bem vindo (a) ao Blog Um Olhar Espírita.


      Inicialmente, gostaria de esclarecer a (o) companheiro (a), que o meu estilo de escrever e de me expressar é realmente simples e direto. Não com o intuito de agredir ninguém, mas como forma de me fazer entender.

      Quando falo que as incongruências de Emmanuel e André Luiz são facilmente identificáveis por qualquer pessoa que leia as obras básicas, posso lhe exemplificar: Vamos falar da obra mais conhecida de André Luiz que é Nosso Lar e vejamos a seguinte passagem: “(...) De repente, ouvi o ladrar de cães, a grande distância. - Que é isso? - interroguei assombrado. - Os cães - disse Narcisa - são auxiliares preciosos nas regiões obscuras do Umbral, onde não estacionam somente os homens desencarnados mas também verdadeiros monstros, que não cabe agora descrever. (...) Fixei atentamente o grupo estranho que se aproximava devagarzinho. Seis grandes carros, formato diligência, precedidos de matilhas de cães alegres e barulhentos, eram tirados por animais que, mesmo de longe, me pareceram iguais aos muares terrestres. Mas a nota mais interessante era os grandes bandos de aves, de corpo volumoso, que voavam a curta distância, acima dos carros, produzindo ruídos singulares. (...)” ANDRÉ LUIZ (Nosso Lar, 2003 p. 217) (grifei) (Trecho retirado do artigo “A Fascinação segundo o Espiritismo)

      Vejamos agora o que nos diz O Livro dos Espíritos: questões de número 598 e 600 que: I - A alma dos animais conserva sua individualidade depois da morte, mas não a consciência de si mesma. A vida inteligente permanece em estado latente; II - (...) O Espírito do animal é classificado, após a morte, pelos Espíritos incumbidos disso e utilizados quase que imediatamente; não dispõe de tempo para se pôr em relação com outras criaturas. (grifei) (Trecho retirado do artigo “A Fascinação segundo o Espiritismo)

      Reforçando o entendimento proposto pelos Espíritos Superiores em O Livro dos Espíritos, buscar-se-á subsídios em O Livro dos Médiuns, Cap. XXV, item 283, subitem 36, quando trata da questão da "Evocação dos Animais", e Kardec indaga da possibilidade de evocar-se o Espírito de um animal, a resposta dada é a seguinte: - “O princípio inteligente que animava o animal fica em estado latente após a morte. Os Espíritos encarregados desse trabalho imediatamente o utilizam para animar outros seres, através dos quais continuará o processo de sua elaboração. Assim, no mundo dos Espíritos, não há Espíritos errantes de animais, mas somente Espíritos humanos“. (grifei) (Trecho retirado do artigo “A Fascinação segundo o Espiritismo)

      Excluir
    3. Caríssima Graça,

      Obrigado pela resposta completa e pela presteza em responder seus leitores!

      As questões que a ilustre autora apresentou como falhas doutrinárias, me desculpe, mas são controversas e, de modo algum, no meu obtuso conhecimento, podem ser considerados como falhas "graves".

      Talvez eu seja muito flexível, mas não vejo como o destino dos animais no pós-morte ou a questão da expressão "alma gêmea" pode ser considerado como um perigo à doutrina, de modo que se possa duvidar do conhecimento e seriedade da pena firme de Chico Xavier.

      Ousaria sugerir-lhe ler alguma biografia sobre Chico Xavier. Ou conversar com alguém, se tiver possibilidade, que tenha convivido com o grande médium brasileiro. Talvez desse modo a ilustre autora possa ter melhor percepção de como era a produção psicográfica de Chico e de que ele era um espírito de muita luz, de modo que, assim como Kardec, pode ter sido plenamente acompanhado de espíritos de muita luz durante todos os seus trabalhos.

      Não creio que seja o caso de Chico, mas julgar imprestável ou considerá-lo um ignorante da Doutrina por um pequeno detalhe em uma de suas mais de 400 obras, todas elas com grandes complexidade e profundidade me parece, me desculpe, desarrazoado e precipitado.

      Aproveitando o ensejo dos 70 anos de publicação da obra "Paulo e Estêvão", ousaria sugerir à sapiente autora que lesse o capítulo 5, da segunda parte, que trata do 1° concílio de Jerusalém, ou o primeiro encontro da irmandade cristã pós morte do nosso Mestre Jesus.

      Além disso, sugeriria à querida autora a leitura de "a constituição do espiritismo", que consta no final de "Obras Póstumas". A parte II, que trata dos Cismas, pode ser de particular interesse para nosso fraternal debate. Muito me encanta o seguinte trecho:

      "O terceiro ponto, enfim, é inerente ao caráter essencialmente progressivo da Doutrina. Do fato de que ela não embala sonhos irrealizáveis para o presente, não se segue que se imobiliza no presente. Exclusivamente apoiada sobre as leis da Natureza, não pode mais variar do que essas leis, mas se uma nova lei é descoberta, deve a ela ligar-se; não deve fechar a porta a nenhum progresso, sob pena de se suicidar: assimilando todas as idéias reconhecidas justas, de qualquer ordem que sejam, físicas ou metafísicas, não será jamais ultrapassada, e aí está uma das principais garantias de sua perpetuidade."

      Forte abraço!

      Excluir
    4. Caro (a) leitor (a), mais uma vez seja bem vindo (a) ao Blog Um Olhar Espírita.

      Para finalizar as minhas considerações face às suas assertivas, gostaria de pontuar que quando me reporto às obras anti-doutrinárias de alguns autores, não descuto moralidade, nem potencial mediúnico de ninguém.

      É fato que, ou estamos de acordo com os fundamentos espíritas ou não estamos. Ou somos espiritualistas ou espíritas (Kardec fez questão de diferenciar uma filosofia da outra). À esse respeito, indico a leitura do artigo intitulado "Kardec e as palavras" desse Blog.

      Quanto aos "cismas" a que o (a) leitor (a) se reporta, seria interessante que lesse nesse blog "Os Inimigos do Espíritismo parte I (França)" dentre outros artigos que tratamos fartamente da questão do cisma.

      Concordo com o caráter progressivo da Doutrina, o que não significa deturpação dos princípios doutrinários. Seria interessante que o (a) leitor (a) lesse nesse blog o artigo "As Obras Básicas Estão Ultrapassadas?".

      No mais nada a acrescentar, pois somos livres para pensar e entender da forma que nos aprouver, desde que respeitemos o pensamento alheio.

      Espero que continue a ser esse leitor (a) participativo (a) expondo suas idéias e entendimentos.

      Volto a firmar que nesse Blog não encontrará personalismo nem achismo. Apenas Doutrina Espírita pautada nas Obras Fundamentais, codificadas pelo homem que mais conheceu de espiritismo em todos os tempos - Allan Kardec!

      Abraço.

      Excluir
    5. correto de novo, Graça. falam de amor da boca pra fora. não conhecem o amor. não esse que Jesus nos apresentou e viveu; não o amor que os Espiritos da Codificação apresentam. falam de um amor de usica sertaneja, de novela, de igreja... um amor que atenda aos intereses pessoais e passe por cima de tudo. nesse caso, que passe por cima da Doutrina Espirita, que a destrua. afinal o pseudossabio lider desse movimento catolico paralelo `DE deixa claro que o Espiritismo está em segundo lugar. que o que importa é a espiritualidade. mas não faz nenhuma questão de definir o que significa espiritualidade. como vou confiar na espiritualidade sem o espiritismo para distigui la? alguem que leve a De a serio poderia evocar esse espirito para pedir esclarecimentos, concorda??? Kardec sempre!

      Excluir
  6. Ainda não ficou claro onde que o estudo das obras de Kardec (onde se inclui o Evangelho Segundo o Espiritismo) contraria a prática do AMOR...

    No tocante aos autores citados, penso que não se trata de ignorar, mas de dar às coisas sua devida importância e colocá-las em seus devidos lugares. Sem dúvida há reflexões bem inteligentes destes autores, algumas até compartilho, em especial frases do Chico. Porém o cuidado reside nas recomendações por demais semelhantes aos ensinamentos vigentes até então, com posturas de súplica confundindo resignação com passividade e aceitação (= a Deus quis assim); soluções externas tipo água fluidificada (= Santa Ceia) e passe (= benção); na acusação sistemática aos obsessores (= demônios); na palestra passiva (= missas e cultos), lugares circunscritos (= céu e inferno) e por aí vai.

    Qual o problema disso? O esquecimento da fé raciocinada e a migração para a fé acomodada, que induz os frequentadores a adotarem o mesmo comportamento conformista das religiões tradicionais, postura esta totalmente diversa da ensinada por Kardec e praticada pelo próprio Cristo. Esta postura não serviu para que o AMOR prevalecesse, ao contrário, serviu para que o foco ficasse nas práticas exteriores em detrimento do conteúdo, gerando todo tipo de absurdo que se praticou em nome de Deus. Daí a grande importância do estudo sistemático de Kardec, todo ponderado e raciocinado, diferente do estudo baseado em relatos romanescos.

    ResponderExcluir
  7. Continuação
    Quanto a Emmanuel, tenho certeza que o (a) leitor (a) já leu o livro O Consolador de sua autoria, e a tese “das almas gêmeas” defendida por Emmanuel, que causou grande mal estar no movimento espírita, obrigando a própria FEB a se posicionar à respeito.

    Não obstante, as “viagens” de Emmanuel/André Luiz foram muito mais longe, chegando até aos “Exilados de Capela”, comprovado cientificamente que não existe a tal constelação, e a esse respeito outros autores já escreveram.

    Quanto ao querido médium Chico Xavier lhe asseguro que tenho profundo respeito pelo homem caridoso que foi. Não obstante, não o considero um ser sublimado. Era um simples mortal que encarnou em um planeta de provas e expiações por não ter atingido a perfeição, e portanto, suscetível de sofrer mistificações como qualquer outro médium.

    À esse respeito no Livro dos Médiuns, nos é dito pelo Espírito de Erasto que “não existem médiuns perfeitos na Terra, mas bons médiuns, o que segundo os Espíritos já é muito, pois eles são raros! Até porque, “O médium perfeito seria aquele que os maus Espíritos jamais ousassem fazer uma tentativa de enganar. O melhor é o que, simpatizando somente com os bons Espíritos, tem sido enganado menos vezes”. (L.M., Cap. XVII) (Trecho retirado do artigo “Chico Xavier e o Amor que cobre a multidão de pecados)

    Quanto a pretensão de me julgar uma grande conhecedora da doutrina espírita... Estou muito longe de me sentir assim. Sou consciente da precariedade do meu conhecimento. Não levando em conta a questão de idade, como o (a) companheiro (a) argüiu, pois poderemos viver 100 (cem) anos freqüentando centro espírita e lendo livros espíritas, e não saber nada de espiritismo, não compreender nada de espiritismo e não viver nada de espiritismo!

    ResponderExcluir
  8. Continuação
    No que concerne a considerar Chico Xavier profundo conhecedor da Doutrina Espírita, não é esse o meu entendimento. O (a) leitor (a) há de convir, que se Chico fosse um estudioso da Doutrina Espírita, não teria deixado passar pelo seu “crivo” tantos posicionamentos anti-doutrinários dos Espíritos que se comunicavam através de sua mediunidade, concorda?

    Quanto a Divaldo Franco, é um homem culto, com domínio da oratória, e estudioso da Doutrina Espírita que direcionou sua produção mediúnica para obras de cunho psicológico (coleção Joanna de Ângelis), de cunho evangélico, e a famosa coleção Manoel Philomeno de Miranda muito parecida com a linha romanesca de André Luiz. Não sendo portanto um escritor doutrinário.

    Yvonne Pereira do Amaral, produziu excelentes obras também na categoria de romances, mas trouxe o questionável Vale dos Suicidas, que passou uns 35 anos guardado pela FEB, que não se atrevia a publicá-lo.

    Noto que no meio espírita, as pessoas não estão acostumadas com uma linguagem direta, pois criou-se uma cultura de “meu irmão”, “minha irmã”, “abraço fraterno”, e aquele ar de “santidade. Não sou assim, e nem entendo que seja este comportamento que comprove o que vai “dentro do coração”. Dentre os muitos ensinamentos que a Doutrina Espírita me trouxe, aprendi a ser verdadeira comigo mesma e com o meu próximo. Sei que estou muito longe de tornar-me um espírito totalmente equilibrado e pacificado. Mas estou na luta “valendo“!

    Portanto, caro (a) companheiro (a) compreenda que não tenho o propósito de desrespeitar ninguém. Caso tenha o interesse de ler todos os artigos do blog Um Olhar Espírita, constatará que não existe um sequer, que não tenha por base as Obras Fundamentais da Doutrina dos Espíritos. Nesse blog, não existe “personalismo“, nem “achismo”, simplesmente Doutrina Espírita nas bases da Codificação kardeciana. Se esse fato é ofensivo a alguém... paciência, pois serei sempre fiel à Codificação.

    Abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Cara autora, suas ponderações são fundamentadas.Espero que reflita, e se poder responda, a respeito do que vejo no Centro Espírita. No meu modesto modo de entender, a questão da publicação de obras básicas tem a ver com o valor que dão à FEB, bem como da absoluta falta de preparo não só dos supostos escritores, mas da massa que não se instrui. Não se instruir apenas lendo, MAS RACIOCINANDO. Aponto que Waldo Vieira quando deixou o Espiritismo já havia avisado a Chico de que ele seria canonizado. E é o que de fato aconteceu. Não se pode tecer uma crítica a Chico ou a Divaldo ou a qualquer outro, sob pena de ser taxado quase como um herege. A caridade praticada não pode servir de indulto para concessões a ponto de subverter a doutrina. Sob este ponto, com o roustanguismo, sob o pretexto de intensificar a prática da caridade, o Espiritismo não é aquela doutrina que pretendia esquadrinhar as leis divinas, mas APENAS MAIS UMA RELIGIÃO. E O É SENDO EXTREMAMENTE RITUALÍSTICO, A PONTO DE CONSTATARMOS, FACILMENTE, DIVERSOS MOTIVOS QUE DEMONSTRAM QUE HOJE ESTAMOS TÃO IMPREGNADOS DE RITUAIS QUANTO O CATOLICISMO, SENÃO VEJAMOS:

      1) Os católicos tem um púlpito de onde proferem as suas reuniões (missas); as casas espíritas também tem;

      2) Os católicos acreditam em céu e em inferno: os espíritas em Nosso Lar e no Umbral;

      3) Os católicos acreditam que ingerindo substâncias consagradas promoverão a limpeza das faltas (comunhão com o óstia); os espíritas idem com a água fluidificada;

      4) OS católicos dispõe aos que necessitarem um encontro privativo com o representante de sua religião (padre) para que a pessoa expresse os seus problemas e angústias (confissão); espíritas idem com o atendimento fraterno.

      Enfim, existem mais mas apenas aponto isto para comprovar que caso o Vaticano admitisse, amanhã, a reencarnação nossos centros espíritas estariam quase fadados ou à adesão, ou à extinção.

      O mais paradoxal, é que somente os espíritas estão promovendo uma sandice que nenhuma religião está fazendo. Diversas obras aduzem que Jesus seria o governador da terra, OU SEJA, DÃO A JESUS UM CARGO POLÍTICO, ADMINISTRATIVO. ORA, SE KARDEC DISSE QUE NÃO ERA DO INTERESSE DO ESPIRITISMO AVANÇAR SOBRE TAL ÁREA, COMO ENTIDADES SUBLIMES PODERIAM ALMEJAR OU ACEITAR SUPOSTO ENCARGO?. É UM ATAVISMO TÍPICO DAQUELES QUE ACHAM QUE AS COISAS SÓ FUNCIONAM SE TIVER ALGUÉM MANDANDO. ESQUECEM-SE DE QUE A LEI NÃO PRECISA DE CARRASCO PARA SER CUMPRIDA E DE QUE QUANDO A ALMA DESPERTA ELA FAZ O CERTO, INDEPENDENTEMENTE DE TER ALGUÉM FISCALIZANDO OU COBRANDO. QUEM NÃO SE LEMBRA DO TSUNAMI NO JAPÃO? OS ORIENTAIS, SEM NINGUÉM MANDAR, ORGANIZARAM-SE, CONSUMIAM SOMENTE DUAS GARRAFAS DE ÁGUA AO DIA, PARA QUE NÃO FALTASSE AOS DEMAIS.

      ENFIM, PARABÉNS E FICA O REGISTRO.

      ATÉ MAIS

      Excluir
  9. Prezados,

    Mais uma vez a autora está corretíssima, até mesmo nas respostas aos comentários.

    De "O Céu e O Inferno", capítulo IV - O Inferno: " nada de positivo pode ser colocado em lugar dessas velhas concepções", sem comentário.

    ResponderExcluir
  10. Cara Graça,

    Devo dizer que o seu blogue é como um oásis neste deserto de igrejismo e ritualismo em que me encontro. Passo a explicar. Há três meses mais ou menos aderi à doutrina espírita por ver nesta resposta à muitas das perguntas básicas que sempre tive: quem sou? qual o objectivo da vida? Qual a razão de tanto sofrimento e desigualdade? etc, etc...

    Sou brasileira vivendo em Portugal há aproximadamente 12 anos. Cá fiz o meu curso superior e estou nesse momento a terminar o meu doutorado. Todo o meu convívio com a ciência me fez uma pessoa naturalmente questionadora e céptica. No entanto, ao começar a conhecer a doutrina por meio das onbras de kardec, ao reconhecer nas suas palavras algo que tinha ressonância dentro de minha mente, encontrei um novo tipo de saber que me preenchia como nunca pensei ser possível.

    Tenho uma irmã que é espírita há algum tempo e sempre tentou me convencer a entrar na doutrina. Confesso que tinha uma certa incredulidade acerca das coisas que ela me dizia (ainda tenho) e quando finalmente decidi estudar mais sobre o espiritismo e aderir de coração aos seus preceitos, ela me indicou uma casa espírita aqui em Lisboa (não citarei nomes) que disse ser relevante ao meu progresso.

    A primeira impressão que tive foi péssima. Lá vou eu verde e inexperiente, com a ilusão de que seria bem recebida e receberia orientação.... Ledo engano! cheguei atrasada e quando finalmente os portões foram abertos e adentrei o espaço a primeira visão que tive foi de uma livraria muito bem abastecida e de pessoas que pareciam sair de uma comemoração qualquer. Nenhuma se dirigiu a mim por isso procurei a pessoa que me pareceu ser parte da base do centro e esta se encontrava na registradora a receber o dinheiro das vendas literárias. A pessoa em questão não só foi extremamente ríspida como me ofereceu um papelzinho com os horários das diversas palestras e estudos frisando que "É preciso chegar a horas! Disciplina é essencial!". Saí dali me sentindo miserável mas decidi lá voltar.

    Nas minhas próximas visitas entrei para um "grupo de estudo" do Livro dos Espíritos. Achei aquilo uma fantochada pois nada aprendi e vi apenas pessoas reunidas a ler trechos de outras obras referindo-se as perguntas em estudo. Só me deu vontade de dormir tamanho o tédio. Não se pode fazer perguntas ou comentários (não me refiro a discussões pois isso seria desestabilizador como dizia Kardec) mas uma troca salutar de opiniões baseada na codificação. Aliás a codificação é submergida em dezenas de livros que as pessoas levam com elas e que os outros participantes sofregamente observam e anotam as referências para futuras compras.

    Todas as palestras baseiam-se em inúmeros livros que convenientemente se encontram à venda na recepção. Qualquer dúvida que eu tenha não é respondida, qualquer esclarecimento que procure cai em ouvidos moucos. A pressão para "fazer caridade" é tanta que no inicio e fim das palestras ou estudo o dirigente frisa a necessidade de trabalhadores para o centro espírita. No entanto me pergunto: Não devo eu trabalhar primeiro as minhas carências para depois ajudar o próximo? Não dizia Jesus para tirar primeiro o trave do meu olho?

    O comportamento das pessoas é o que mais me impressiona pela negativa. Sinto-me dentro de uma igreja onde os santos padroeiros são Chico Xavier, André Luiz, Emmanuel, Miramez e dezenas de outros que são mencionados com um respeito e devoção dignos dos Santos Católicos. A obediência aos dirigentes do centro em questão é tal que me fez logo pensar em ovelhas que seguem o pastor até o precipício e se suicidam com ele sem questionar. É isso o espiritismo? Onde está a fé raciocinada? Onde está a filosofia e ciência de que nos fala Kardec? Sinto-me cada vez pior quando lá estou. Sinto que entrei numa dimensão qualquer deturpada e que o que estou a ver é uma seita ensandecida!

    Continua...

    ResponderExcluir
  11. Continuação...

    Como historiadora que sou vejo aqui reflexos de fanatismo e dogmatismo. A tendência humana para o fundamentalismo religioso, para o ritualismo e, consequentemente, para a cristalização é que está, na minha opinião, a destruir a grandiosidade da doutrina espírita. Não querendo discutir aqui o valor ou não de médiums conhecidos, o espiritismo não assenta em imagens ou santos, por isso essas personalidades não me dizem absolutamente nada. O seu comportamento, no entanto, pode ser usado como exemplo, positivo ou negativo, por serem seres em evolução como todos os outros. Nesse centro em que ia ocasionalmente, Chico Xavier é o profeta prometido e comparado a Jesus Cristo! Ai de mim se cometer a loucura de questionar quaisquer ditos do profeta de Uberaba!

    Não consigo concordar com colónias espirituais, com existência de ocupação em Marte ou as noções de Umbral e Vale dos Suicidas. Isso lembra-me paralelos não só de herança judaico-cristã como ainda de herança politeísta de períodos mais antigos.

    Uma das razões que me deixa mais boquiaberta é o tal igrejismo e o comportamento retrógrado e cheio de salamaleques. A Doutrina Espírita nada mais é do que um combate a essas vaidades humanas que só conduzem a destruição do carácter e a glorificação das futilidades sem substância que resultam em ilusões de grandeza e poder. As palavras bonitas e os discursos exaltados mais se assemelham aos sermões católicos que tem de ser ouvidos e engolidos, não questionados e analisados. A autoridade suposta daqueles que falam como se fossem mensageiros directos do Cristo mais contém laivos de vaidade pessoal que conforto e sabedoria. Não é com discursos em voz baixa e entonação tranquila, emulando um bem estar sublime, que se comprova o seguimento dos preceitos divinos. É através das atitudes e da capacidade de compreender o próximo e tentar ajudá-lo que isso se reflete. A incapacidade humana de pensar e raciocinar,o facto de regurgitar toda e qualquer "verdade" oferecida já parcialmente digerida pela facilidade do acto em si só mostra um comportamento ovino característico de muitos fiéis das religiões dogmáticas tradicionais. O Espiritismo é nada mais que a libertação dessas ovelhas deixando cair os véus que ocultam o verdadeiro objectivo da humanidade: a evolução pelo trabalho, mas um trabalho que deve começar dentro de nós, tornando-nos livres das amarras da preguiça, da ignorância e dos sentimentos daninhos. Um trabalho que nada mais é que a luta diária com as nossas fraquezas e tendências menos salutares. Depois, quando nosso coração se conseguiu desembaraçar da maior parte desses negrumes, aí sim estendemos a mão ao outro pois estaremos em condições de ajudá-lo a fazer o mesmo.

    Não penso que o centro espírita seja um local de "reuniões de amigos" embora seja um local onde amigos se reúnem. Mas no centro o que vejo é mais isso... Muitos beijinhos e abraços, muitos salamaleques e conversas vazias e substância real em muito menor quantidade. Que dizer de um local que não te recebe bem e onde te sentes constrangido de expor as tuas dúvidas mais íntimas ou os seus pensamentos mais perturbadores? Onde não te sentes seguro de discutir o que é dito por não concordares com o modo ou conteúdo da exposição? Nesses momentos me lembro de Jesus que em sua infinita bondade disse: perdoa-os que não sabem o que fazem.

    Concordo com a sua exposição. Há que reformar!

    Abraços,

    Juliana

    ResponderExcluir
  12. Prezada autora e comentadores, confesso que estou estupefato, aturdido, perturbado mesmo em minhas bases e muitos anos de estudo, e agradeço por isto.

    Não concordo nem discordo, apenas disponho-me a pensar, refletir, estudar mais e ter verdadeira humildade e flexibilidade para, se assim for, rever minhas bases já revistas mais de uma vez, e continuar me aprimorando.

    Agradeço este banho refrescante de reflexões sinceras, sérias e corajosas para a Consciência.

    Votos de Paz e Luz.

    ResponderExcluir
  13. amai--vos instrui-VOS

    ResponderExcluir
  14. Para a autora deste texto, o Espiritismo está todo errado.

    Sem dúvida, todos os autores reconhecidos a nível nacional estão errados... Sem dúvida, a aplicação do passe, ENSINADA POR JESUS E EXPLANADA POR KARDEC, está errada, sem dúvida, água fluidificada, MAIS DO QUE EXPLICADA POR KARDEC, está errada.

    Tudo está errado. Só uma visão deturpante e amarga da realidade está certa. A obsessão é um caminho perigoso.

    Pelo visto, a intenção da autora seria de ajudar o Espiritismo. Mas, muito pelo contrário, ela nada está fazendo pela Doutrina, a não ser incansavelmente lutar contra ela, porque julga a sua interpretação de Kardec como a única certa.

    Como se Kardec tivesse feito uma nova Bíblia, que geraria diferentes interpretações e correntes.. Lamentável. Ainda bem que o movimento espírita brasileiro, ''a trancos e barrancos'', com suas falhas costumeiras do gênero humano, segue em frente, e pensamentos como os expostos aqui não passam de exceção.

    ResponderExcluir
  15. Só a título de esclarecimento o Sr. Allan Kardec foi magnetizador por 35 anos e fala sim sobre passes magnéticos, água magnetizada em edição da Revista Espírita. Quanto à reunião para estudo e discussão do ESE no seio do próprio lar, não vejo o que temer nem nenhum aspecto negativo, afinal estar-se estudando uma obra do codificador no seio da própria família. Evangelizar os membros da família com a leitura e debate dessa obra é errado? E quanto à questão sobre espíritos errantes de animais a uma informação, nova para mim, que me arregalou os olhos: uma carta que Kardec diz ter recebido de um amigo que afirmava ter visto o espírito de seu cachorro, morto a algum tempo. Talvez não mencionada por ter sido a única informação sobre esse assunto, já que um dos métodos utilizados por ele era a reunião de várias informações não conflitantes. Observe-se com atenção o vídeo:https://www.youtube.com/watch?v=gnQtJyokJO8.

    Etiene Melo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Caro, Etiene eu tenho o Sr. Allan Karde como uma régua para aferir tudo que diz respeito a Doutrina Espírita, justamente pelo fato de ter feito uso de uma metodologia para se chegar onde ele chegou, portanto é uma questão de opinião pessoal e de opção a cada seguir aquilo o convença e eu na dúvida optei por ficar com o que o Kardec deixou como sendo espiritismo. Grato por sua observação e sinta-se abraçado fraternalmente!!!

      Excluir
  16. Parabéns, Graça pelas explanações sensatas e precisas e realmente tudo a que vc se referiu é a mais pura verdade, pois a Doutrina dos Espíritos se encontra completamente deturpada e o que é o pior o orgão que deveria ser reconhecidamente o maior, se apequena ao coletar essa enxurrada de livros e de médiuns, que deixam muito claro que a preocupação maior deles não é difindir a doutrina e sim angariar muitos e muitos reais, pois o que se percebe nitidamente é que conhecem muito pouco de espiritismo ou nada. Mais uma vez parabéns, Graça pela sua coragem de expor a todos(as) a podridão que estão fazendo com a doutrina codificada pelo Sr. Allan Kardec deixou como sendo espiritismo.

    ResponderExcluir